sábado, 25 de maio de 2024

 

ORIGEM DO MAL – Qual a origem de Satanás?




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Três passagens das Escrituras são fundamentais para a compreensão de como Lúcifer, um ser criado por Deus, perfeito, tornou-se em Satanás, a fonte e o principal instigador de todo o mal. Em Ezequiel 28 nos é dito que Lúcifer era “perfeito” e exercia a função de “querubim da guarda” antes de sua rebelião: “Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti” (Ez 28:14 e 15).

Já Isaías 14 esclarece que foi através do orgulho que surgiu o mal no coração de Lúcifer: “Como caíste do Céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por Terra, tu que debilitavas as nações! Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao Céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14:12-14).

E Apocalipse 12 declara que “a terça parte” das hostes angélicas se uniu a Lúcifer em sua rebelião contra Deus (versos 3 e 4), e acabou sendo expulsa do Céu: “Houve peleja no Céu. Miguel e o Seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no Céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a Terra, e, com ele, os Seus anjos” (Ap 12:7-9).

O surgimento do pecado no coração de Lúcifer é, em realidade, um mistério que não pode ser explicado a contento, pois ele teve início e continua existindo sem qualquer motivo que o justifique. Não havendo se originado em Deus, mas em Lúcifer, o pecado é um intruso que continua existindo no mundo (ver Ef 6:12; I Pe 5:8), a despeito de não possuir o direito legítimo de existência. Mas a promessa divina é que chegará finalmente o dia em que tanto o pecado, em todas as suas formas, como o seu autor (Satanás) serão definitivamente erradicados do Universo (ver II Pe 3:7, 10-13; Ap 20:10), não permanecendo deles “nem raiz nem ramo” (Ml 4:1).

Fonte: Alberto Timm, Sinais dos Tempos, dezembro de 1998, p. 27.


Sinais, Juízos e Causas Naturais

Publicado em  por Blog Sétimo Dia


No editorial da Review and Herald de 26 maio de 1977, levantou-se a questão: “Quem Traz Desastres, Deus ou Satanás?” São todos os desastres causados por um por outro? Que dizer daqueles cujas causas naturais são conhecidas? Podem ser atribuídos tanto a Deus como a Satanás? Poderia um desastre, ou fenômeno cuja causa natural seja conhecida, sempre constituir-se um sinal?

Um leitor, a quem se fez referência no citado editorial, diz: “Ele (um investigador intelectual) declarará que os furacões e tornados só ocorrem na região do Caribe; que os meteorologistas podem predizer com dias de antecedência quais as condições do tempo, antes do golpe, para que os cidadãos, em grupo, possam desafiar a ira de Deus ou as maldades de Satanás(?) preparando-se para o impacto; ele poderia afirmar que os terremotos ocorrem em falhas na superfície da Terra, conhecidas do homem; que estamos nos aproximando de um ponto em que poderão predizer com razoável exatidão quando os terremotos ocorrerão, e que, sabendo onde essas falhas estão, podem construir edifícios à prova de terremotos para suportarem os juízos de Deus ou a colheita de almas inadvertidas de Satanás (?)“.

Sem dúvida, muitos intelectuais, e alguns que não se consideram Intelectuais, têm pensado nos argumentos aqui apresentados. Não há uma simples explanação. Não há uma fórmula que possamos aplicar e daí poder, em cada caso, apontar com precisão a causa de um desastre. Se as marchas e contramarchas nos acontecimentos humanos são extremamente complexas, quanto mais complexas são as que estão atrás dos acontecimentos em que estão envolvidas forças espirituais.

Primeiramente, façamos a pergunta: Pode um evento, do qual se conhece a causa natural, ser um sinal? Durante décadas de sua história, os Adventistas do Sétimo Dia têm lidado com esse problema e, em geral, têm chegado à conclusão de que a pergunta pode ser respondida afirmativamente.

D. E. Robinson abordou o problema num artigo da Review de 24 de julho de 1913. Estava respondendo a uma pergunta que os opositores dos ensinos dos adventistas do sétimo dia sobre as profecias às vezes faziam: “Por que os sinais no Sol, na Lua, e nas estrelas, preditos por nosso Salvador, só foram vistos pelos habitantes dos Estados Unidos?”

Em sua resposta, o Pastor Robinson apresentou evidências históricas de dias escuros além do Dia Escuro de 1780, mencionando um na Europa em 1783, no Canadá em 1785, e na França em 1867. Então acrescentou: “Já que esses dias escuros ocorreram no tempo especificado pela profecia, precisamos nós argumentar que eles eram sobrenaturais?

Depois de discutir várias causas apresentadas para a escuridão de 1783 na Europa, tais como a de que fora ocasionada pela poeira vulcânica do Monte Hecla (na Islândia), ou os terremotos na Calábria, ou por ter a Terra entrado na cauda de um cometa, chegou ele à seguinte conclusão: “Só podemos concluir que, qualquer que tenha sido a causa, sobrenatural ou natural, esses dias escuros foram, como as grandes trevas que rodeavam o Egito, uma manifestação prevista  e divinamente predita”.

Acrescenta: “Pode-se chegar à mesma conclusão quanto à queda das estrelas, que foi o próximo sinal predito por Cristo depois do escurecimento do Sol e da Lua”. Para reforçar seu ponto de vista, menciona a chuva de estrelas em outros anos, além de 1833, tais como: uma em 1799 e outra em 1832. Essas, achava ele, de maneira alguma diminuíam a força dos sinais de Jesus.

Muitos anos antes, Uriah Smith respondera igualmente às objeções que os críticos faziam contra a interpretação adventista dos sinais nos céus mencionados em 5. Mat.24.

Referiu-se a um culto de pregação adventista, no fim do qual “um médico incrédulo se levantou e explicou como foi que as estrelas caíram naquele tempo. Disse que isso ocorrera de acordo com a Natureza, e, conseqüentemente, nada havia de extraordinário. Um ministro batista que estava presente, respondeu: Amém. Disse que isso estava certo, e que se a queda das estrelas em 1833 era cumprimento de S. Mat. 24, então ela se havia cumprido muitíssimas vezes desde sua predição, com a queda de meteoros”. — Review and Heraid, 29 de janeiro de 1861.

Tempo dos Sinais Celestes

Respondendo às objeções, disse o Pastor Smith: “Tenta-se colocar o escurecimento do Sol em 1780 da mesma maneira. Diz-se: Isso não pode constituir-se um sinal do fim, porque muitos eventos assim têm sucedido em diferentes épocas, no mundo. Mas o fato de o escurecimento estar ligado com acontecimentos especiais, desarma completamente os nossos oponentes. ‘Logo depois da aflição daqueles dias’ (os 1260 anos da perseguição papal), ou como outro evangelista disse: ‘Naqueles dias, depois daquela tribulação’, o Sol se escurecerá, etc. A tribulação foi abreviada pelo aparecimento da Reforma; chegou o tempo para a realização daquela predição e ela se cumpriu.

“Ora, não importa se o Sol escureceu mil vezes em épocas passadas do mundo, aquele escurecimento que se devia constituir um sinal do fim estava para acontecer naquele tempo, e aí aconteceu; e sendo expressamente predito como um sinal do fim, nenhum sofisma pode modificá-lo. O mesmo se dá com a queda das estrelas. O fenômeno de novembro de 1833 foi o mais notável dessa espécie registrado. Foi predito em ligação com o escurecimento do Sol e da Lua.

E assim temos a exata seqüência nessa grande série de acontecimentos, pelos quais a própria Natureza parece, por assim dizer, ter sido designada para proclamar à humanidade a próxima restituição de todas as coisas. Incrédulos e professores podem dar as mãos para explicar essas coisas de outra maneira; podem os escarnecedores zombar de nossa esperança, mas o dia glorioso está chegando, a redenção perto está. Tremam os pecadores; regozijem-se os santos”. — Ibidem.

Num sermão, uma testemunha ocular do Dia Escuro tornou claro que não considerava que atribuir causas naturais a um fenômeno Invalidava-o como sinal: “Talvez alguns, dando-lhe uma causa natural, atribuindo-o a um denso vapor no ar, se esforcem por tirar a força de ser ele um sinal, mas a mesma objeção existirá contra os terremotos serem sinais, que o nosso Senhor expressamente menciona como tais. Da minha parte, realmente considero a escuridão como um dos prodígios preditos no texto; destinados para a nossa admoestação e advertência”. — Sermão de Elam Potter sobre o “Dia Escuro”, pronunciado a 28 de maio de 1780 em Enfield, Conn, citado por W. Barber no The Advent Heraid, de 13 de março de 1844, p. 46. Ver SDA Bible Students’ Source Book, p. 317.

Se Deus quiser visitar com juízo, por que seria Ele proibido de servir-se de meios naturais? Quando Ele abriu um caminho pelo Mar Vermelho para os israelitas atravessarem, diz o relato: “E o Senhor fez retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite, e o mar tornou-se em seco, e as águas foram partidas” (Êxo. 14:21). Por que usou um vento oriental? Ter Deus empregado um vento diminuiu o milagre da travessia?

É verdade que os furacões podem ser localizados e seus cursos seguidos. Mas ainda não se sabe tudo quanto ao que os produz. Também, seu curso é, freqüentemente, errático e não pode ser predito com exatidão. Não vemos nenhum problema em forças naturais engatilharem uma formação em lugares escolhidos, uma vez que as condições metereológicas estejam certas, para trazer desastre sobre uma área predeterminada. Nem vemos problema em forças sobrenaturais operarem, com as condições meteorológicas, para dirigir furacões a seu determinado destino. Em tais acontecimentos, o observador poderia estar bem desapercebido de que forças naturais nisso estavam envolvidas.

De fato, os aspectos sobrenaturais dos acontecimentos freqüentemente não podem ser abertamente notados. É necessário que a Palavra de Deus desvende o que está ocorrendo atrás dos bastidores. Isso também se dá com os acontecimentos humanos. A esse respeito, Ellen White diz: “Nos anais da história humana o crescimento das nações, o levantamento e queda de impérios, aparecem como dependendo da vontade e façanhas do homem. O desenvolver dos acontecimentos em grande parte parece determinar-se por seu poder, ambição ou capricho. Na palavra de Deus, porém, afasta-se a cortina, e contemplamos ao fundo, em cima, e em toda a marcha e contramarcha dos interesses, poderio e paixões humanas, a força de um Ser todo-misericordioso, a executar, silenciosamente, pacientemente, os conselhos de Sua própria vontade”. — Educação, p. 173.

Haverá algum problema no pensamento de que alguém se poderia proteger de um terremoto que Deus pudesse mandar como juízo, construindo para si mesmo um abrigo contra terremotos? (Que os terremotos figuram entre os juízos de Deus, mostra a seguinte declaração citada em editorial anterior: “Já os juízos de Deus se manifestam na Terra, em forma de terremotos”. — Test. Seletos, vol. 2, p. 31.) Nós não vemos problema. De fato, um dos objetivos dos juízos de Deus é advertir os habitantes da Terra quanto a uma crise vindoura, na esperança de que eles busquem a salvação em Deus. Ele poderia permitir que a vida do construtor do abrigo fosse poupada para lhe dar mais oportunidade para o arrependimento.

Repetimos novamente que, quanto pergunta: Quem traz desastre, Deus ou Satanás; ou são eles simplesmente a operação de leis naturais? não há uma resposta simples. O homem secular que não crê no sobrenatural atribui todos os desastres a causas naturais. Os adventistas do Sétimo Dia, que crêem no sobrenatural e que fundamentam sua fé na Bíblia como sendo a autêntica revelação de um Deus transcendente, sabem que tanto Deus como Satanás trazem desastres, e que também as calamidades podem ter causas naturais. Em qualquer um dos exemplos dados, pode não ser possível identificar a causa. Geralmente Deus permite que as leis naturais operem, Por esse motivo é que os cientistas podem aprender essas leis e, assim, predizer o resultado de várias espécies de circunstâncias no mundo natural. Mas Deus não é limitado pelas leis naturais, pelo menos pelas leis naturais como os cientistas as definem. A Bíblia prediz que, em ligação com os acontecimentos do fim, a Natureza agirá de maneira bem fora do comum. Por exemplo, com relação aos sinais celestes mencionados em S. Mat. 24:29, é dito que “as potências dos céus serão abaladas”.

Ellen White define as potências dos céus como sendo “o Sol, a Lua, e as estrelas”. — Primeiros Escritos, p. 41. Ela diz: “O Sol, a Lua, e as estrelas se moverão em seus lugares”. — Ibidem. Também diz:

“À meia-noite Deus manifesta Seu poder. .. O Sol aparece resplandecendo em sua força”. — O Grande Conflito, p. 634.

De fato, segundo S. Lucas, será especialmente a Natureza fora de seu curso que encherá de indescritível terror o coração dos habitantes da Terra.

“Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo. Porquanto as virtudes do céu serão abaladas”. S. Lucas 21:26.

Freqüentemente é este verso interpretado como se ele se referisse ao temor de guerra e de outras calamidades comumente conhecidas dos seres humanos, mas o motivo do temor é aqui claramente identificado como não saber o que vem em seguida, porque a Natureza está toda desordenada.

Assim, enquanto hoje, sem a revelação divina, pode ser impossível distinguir os desastres que vêm de causas naturais dos que são produzidos por forças sobrenaturais, virá o tempo em que tanto Deus como Satanás operarão de maneira maravilhosa, quando o grande conflito alcançar o seu clímax. É importante reconhecer esse fato para que a pessoa possa avaliar corretamente o que está acontecendo e assim colocar-se no lado certo do conflito, o que decidirá a felicidade ou a infelicidade da vida por toda a eternidade.

A Origem do Mal

Até mais ou menos os seis anos de idade, toda criança crê que o mundo é maravilhoso e perfeito; seu pai é um herói; e sua mãe, a mais maravilhosa mulher em todo o mundo. Mais tarde, porém, com o desenvolvimento de sua razão e compreensão, ela verifica que aqui há sombras também. Ela recebe injustiças, experimenta a dor, e vê os efeitos da morte – tudo evidencia a existência do mal sobre a Terra.

Cada ser humano, seja ele maometano, hindu, cristão, agnóstico ou ateu, sabe que algo está errado no mundo. Existe alguma coisa, um espírito oculto nos homens, que induz a humanidade a cometer os mais terríveis crimes, destruindo assim os lares e derruindo os próprios fundamentos da sociedade. Trata-se de uma inteligência superior à nossa, que constantemente está combatendo a Deus e Sua justiça, e cujo nome, segundo as Escrituras, é diabo ou Satanás.

Faz alguns anos um automóvel andava numa rua muito transitada sem ninguém ao volante. Não obstante, ao chegar a uma esquina, parava em face do sinal vermelho, e prosseguia ao abrir-se o sinal, sem chocar com ninguém e nem com os outros carros. Ninguém pretenderá que o carro andava sozinho, e todos estão de acordo comigo que ele obedecia a um controle remoto. Em outras palavras, existia uma inteligência superior por trás dos bastidores que o impulsionava. Satanás opera da mesma maneira, e embora esteja oculto, pode ser reconhecida sua presença por seus atos.

Conta-se que certo bandoleiro que vivia com seu grupo nas montanhas da Itália era o terror dos habitantes do vale próximo. Em vista dos saques de que eram constantemente vítimas, viviam alerta, o que atrapalhava o desenvolvimento normal das atividades do bandoleiro. Então, para poder saquear os habitantes do vale com maior tranqüilidade, inventou o seguinte estratagema: Mandou que um de seus homens espalhasse por toda parte a notícia do assassinato do bandoleiro. O povo, pensando estar a salvo dos temidos assaltos, descuidou da vigilância, abandonando suas casas em dias de festa, dando assim oportunidade ao bandoleiro para que as saqueasse.

Satanás usou a mesma técnica com o fim de fazer à humanidade cair em suas malhas. Ele inventou a história de que “não existe.” Tanto é assim que muitas pessoas estão absolutamente convencidas de que Satanás não existe, pelo simples fato de jamais o terem visto em pessoa.

Ouvi certo senhor com quem conversei sobre este tema, dizer: “Satanás não existe, pois eu já tenho cinqüenta anos e nunca me encontrei com ele.” Respondi: “Sabe, meu amigo, por que nunca se encontrou com Satanás? Simplesmente porque sempre andou junto dele.”

Quando alguém toma a decisão de viver uma vida virtuosa e cristã, em harmonia com os preceitos da lei divina, não passará um só dia sem que tal pessoa se encontre com o diabo, pois a vida virtuosa constitui uma guerra constante e uma marcha contra o príncipe das trevas.

Satanás é um inimigo sobremodo astuto, cujas manhas variam de acordo com a pessoa que deseja fazer cair em suas milhas. Seu único propósito é afastar a humanidade de Deus, e para consegui-lo serve-se de diferentes ardis. Com alguns emprega a precaução, a outros induz a crer em falsas doutrinas, e ainda a outros torna-os indiferentes para com a religião, pondo-lhes no coração o amor aos prazeres e às ostentações mundanas; divide a igreja em seitas cujo número é quase impossível contar; semeia a dúvida e o desespero. Para enredar suas vítimas, não se detém diante de nada.

Satanás: Ser Real

Na primeira epístola de S. Pedro, capítulo 5 e verso 8, o apóstolo faz a seguinte advertência: “Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar”.

De acordo com este texto inspirado, Satanás é um ser real, tão real como um leão, com que é comparado. A palavra Satanás é de origem hebraica, e significa adversário. Este vocábulo aparece 19 vezes no Velho Testamento e 35 no Novo. O termo diabo é de origem grega, e significa acusador falso. É encontrado 54 vezes no Novo Testamento. Isto quer dizer que a existência de Satanás, ou diabo, é mencionada 89 vezes no Novo Testamento, além de outros adjetivos mais, como “príncipe deste mundo,” “príncipe das trevas deste século,” “potestade do ar,” etc.

Porém, quem é Satanás? Há quem opine que seja algo abstrato, uma influência desprovida de personalidade algo que poderíamos comparar com a corrente elétrica que se não vê, porém cujos efeitos são sentidos. Nada disto é verdade. Satanás tem personalidade, como a têm Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Não se trata do “diabo vermelho” da mitologia, que foi pintado por Fernando da Cruz no ano de 1620. Neste quadro se vê Satanás em meio do fogo eterno, armado de uma forquilha com que revolve suas vítimas que se estão assando, para que se dourem bem. A personalidade de Satanás é bem diferente; é real e perversa ao máximo, segundo o que lemos em:

S. João 8:44 – “Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.”

Esta passagem inspirada nos diz claramente que Satanás tem personalidade, pois para que possa mentir e ser o primeiro homicida, é forçoso que se trate de um ser real e moralmente responsável.

No livro de S. Tiago 2:19, encontramos uma prova mais da personalidade dos demônios, cujo chefe é Satanás: “Você crê que existe um só Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios crêem — e tremem!”

Os demônios não constituem uma força impessoal, isto é, uma influência, como alguns pensam, mas são seres reais que têm medo de Deus e que tremem ao Seu augusto nome.

Em II Cor. 11:14, o apóstolo S. Paulo nos dá outra prova da personalidade do inimigo da humanidade: “Isto não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz.”

Satanás não poderia aparecer na forma de anjo, se não tivesse personalidade inteligente, atributo este só concedido a pessoas. O mesmo apóstolo dos gentios nos dá outra prova, ainda mais concludente, da personalidade de Satanás em:

II Tes. 2:8 e 9 – “então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda. Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira”

Aqui temos várias provas adicionais de que Satanás é um ser real capaz de operar milagres por meio de seres iníquos, e que demonstra seu poder realizando grandes prodígios e fazendo crer ao povo que os mesmos provêm de Deus. Esta e as demais anteriormente consideradas, são passagens que provam a personalidade de Satanás, que é poderosa, viva e real.

Quem Criou a Satanás?

Quem criou este ser extraordinário que é Satanás? De onde vem? Quem o criou? Vamos ver o que o Livro Sagrado revela sobre este assunto. Quando nosso Senhor Jesus esteve na Terra, disse:

(S. Luc. 10:18) “Mas ele lhes disse: Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago.”

Esta declaração do Redentor indica que alguma vez Satanás esteve no Céu e que caiu dali. Vamos ver o que sucedeu com esta personagem no Céu, segundo se encontra registado em:

Apoc. 12:7-9 e 4 –  “Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos.” “A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra; e o dragão se deteve em frente da mulher que estava para dar à luz, a fim de lhe devorar o filho quando nascesse”.

Desejo fazer notar que a morada original de Satanás estava no Céu, centro do Universo insondável, porém depois de sua rebelião aberta contra Deus, tanto ele como os anjos que o seguiram, foram lançados na Terra, e Cristo em pessoa os viu cair. É uma utopia procurar expulsar uma influência de algum lugar, já que se trata de coisa imaterial, intangível e impossível de suprimir, a menos que se suprima a própria fonte de onde provém. Mas como Satanás é um ser material, pôde ser expulso e lançado na Terra, como o foi. O Livro Sagrado atesta que Satanás foi expulso da morada do Eterno, porque concebeu ali o pecado segundo lemos em S. João 8:14, passo que comentamos faz alguns momentos.

Alguns estarão perguntando por que sendo Deus o autor da vida, foi criar Satanás. Todas as coisas do Universo, unicamente com exceção de Satanás, vieram à existência pela vontade divina. Deus criou a Lúcifer, o mais inteligente e poderoso de todos os seres criados, que mais se transformou por sua própria determinação e vontade em diabo e Satanás.

Vejamos as provas do Livro Santo:

(Isa. 14:12) – “Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filho da alva! Como foste lançado por terra, tu que debilitavas as nações!”

É sem dúvida certo que Satanás está aqui na Terra, debilitando as nações, e como dizem os versos 16 e 17, transtornando reinos, pondo o mundo como deserto e assolando suas cidades. Esta é uma grande verdade que podemos contemplar com nossos próprios olhos. É Satanás que transtorna as nações e arruina o mundo.

Volvamos por um momento à palavra “Lúcifer.” Este vocábulo quer dizer “estrela da manhã.” Em outras palavras, Lúcifer era o anjo principal, como nos afirma o profeta Ezequiel, no capítulo 28:13 e 14:

“Estavas no Éden, jardim de Deus; de todas as pedras preciosas te cobrias: o sárdio, o topázio, o diamante, o berilo, o ônix, o jaspe, a safira, o carbúnculo e a esmeralda; de ouro se te fizeram os engastes e os ornamentos; no dia em que foste criado, foram eles preparados. Tu eras querubim da guarda ungido, e te estabeleci; permanecias no monte santo de Deus, no brilho das pedras andavas.”

No Salmo 99, verso 1 temos a explicação da posição que ocupa um querubim: “Reina o SENHOR; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra.”

Os querubins pertencem à categoria mais elevada de anjos; são os assistentes do trono de Deus. O Criador não fez um Satanás, mas Lúcifer, querubim cobridor, perfeito, como tudo o que saiu de Suas mãos. Como então Lúcifer se transformou em diabo ou Satanás? O profeta Ezequiel nos dá um vislumbre do que sucedeu:

Ezequiel 28:15 – “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado até que se achou iniqüidade em ti.”

Notemos estas duas declarações:

(1) “Perfeito eras em todos os teus caminhos, desde o dia em que foste criado.” Deus não cometeu erro algum na criação de Lúcifer; Ele o fez perfeito.

(2) “Até que se achou iniqüidade em ti.” Isto vale dizer que depois da criação de Lúcifer, encontrou-se maldade nele.

Analisemos agora uma das maldade que surgiram em seu coração:

(Versículo 17) – “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor”

Já dissemos que Lúcifer se corrompeu por causa de sua formosura e sabedoria, e hoje se vale dos mesmos meios para apanhar a humanidade em suas malhas. Engana e corrompe as mulheres com o argumento da formosura, e aos homens, por meio da falsa ciência e aparente sabedoria.

O profeta Isaías, no capítulo 14:13 e14 de seu livro, nos revela que nasceu outra maldade mais no coração de Lúcifer, e que apressou sua queda das mansões celestiais:

“Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.”

Este ser, que foi coberto de tantas honras da parte de Deus, quis fazer-se semelhante a Ele e atribuir-se os atributos do próprio Criador, o único que tem vida inerente.

Certamente vocês perceberam nos versos que apresentamos, que Lúcifer sempre usava o pronome “eu” ou equivalente, o que revela egoísmo, egocentrismo, engrandecimento e suficiência próprios. Quando alguém se torna egocêntrico, pensa que tudo pode sem a ajuda de Deus, e se coloca no plano em que esteve Lúcifer quando se desviou da senda do bem.

Ninguém tem vida por si, nem pode conservá-la a menos que intervenha o Criador, dando-a e sustentando-a. Ninguém poderia ter roupas para se cobrir se Deus não fizesse nascer o algodão e a lã das ovelhas. Satanás, mero ser criado, quis apropriar-se dos atributos que pertencem única e exclusivamente ao Criador.

O Livre Arbítrio

Ora, alguém poderá dizer: Se Deus é perfeito, deve ter criado a Lúcifer também perfeito em todos os sentidos. Como pôde este corromper-se e perder sua primitiva perfeição? Por que Deus não o fez, bem como a todos os seres criados, de tal maneira que não pudessem rebelar-se contra Ele?

Estas são perguntas perfeitamente lógicas, e lhes direi que Deus poderia ter feito isso, mas neste caso o ser humano teria sido apenas um autômato, desprovido de personalidade própria e incapaz de compreender a sabedoria, beleza e perfeição do amor de Deus. O amor puro e espontâneo, para ser perfeito, exige o exercício do livre arbítrio. Por esta razão, e em Seu desejo de criar seres com os quais pudesse manter íntima comunhão, e que fossem capazes de compreender Seu amor por eles, Deus os dotou de livre arbítrio, isto é, conferiu-lhes o inestimável dom de seguir o bem ou o mal segundo quisessem escolher.

Ilustremos este ponto. Suponho que todos apreciam os beijos e as demonstrações de afeto de seus filhos não é certo? Porém suponhamos que Deus os houvesse criado com o instinto de dar beijos sem o livre arbítrio que os movesse a isto. Em tal caso seriam apenas uma espécie de autômatos, ou máquinas de beijar. Ora, que é que nós os pais apreciamos nos beijos de nossos filhos? É o sentir que nascem do mais profundo do coração; que são uma espécie de demonstração voluntária de seu amor por nós. Não é isto? Mas para que possamos encontrar prazer em tais beijos, é necessário que o mesmo não seja forçado, mas dado de maneira espontânea.

Usarei outro exemplo para ilustrar que o fato de Deus haver dotado os seres superiores da maravilhosa faculdade do livre arbítrio, deixou aberta a porta à possibilidade, se bem que necessária, de fazer mau uso deste dom.

Se víssemos um bêbado com os olhos injetados de sangue, as faces avermelhadas e o nariz arroxeado, com vestes desordenadas, não nos ocorrerá perguntar que espécie de mãe terá trazido ao mundo um ser semelhante, não é certo? Sim, pois sabemos que por mais baixo que haja podido cair um ser humano, ao nascer era uma criatura formosa e inocente. Sua mãe o criou para que fosse a alegria de sua vida; não o trouxe ao mundo para que se convertesse num bêbado inveterado. Porém à medida que esse menino foi crescendo, e fazendo mau uso do livre arbítrio com que Deus o dotou a fim de capacitá-lo a compreender e apreciar a bondade de sua mãe, rebelou-se contra os conselhos e ensinamentos desta, convertendo-se na antítese do que ela queria que fosse. A mãe não o converteu num ébrio. Ao contrário, fez tudo que estava em ser poder para impedir que o fosse. Mas o filho se fez alcoólatra deliberadamente, e portanto não se pode culpar a mãe pela queda do filho.

Da mesma maneira não podemos culpar a Deus por haver criado os seres superiores do Universo com o livre arbítrio, quando estes o usam com fim alheio ao propósito que tinha o Criador, que era a felicidade de todos os Seus filhos.

Para melhor esclarecer este ponto, relatarei o que sucedeu ao famoso pintor Leonardo da Vinci. Estava o artista pintando o seu famoso quadro “A Santa Ceia,” e por vários dias procurou alguém que pudesse posar para o rosto de Cristo. Finalmente numa catedral encontrou um jovem que fazia parte do coro, cujo rosto tinha uma expressão como a que tanto procurava. Chamava-se o jovem Pietro Bandinelli.

Depois de terminar o rosto de Cristo e de vários dos discípulos, o artista procurou encontrar alguém que servisse como modelo para o rosto de Judas Iscariotes. Durante vinte anos procurou em vão uma pessoa cuja expressão facial fosse a de um traidor e avaro, até que certo dia, ao caminhar pela rua, um homem lhe chamou fortemente a atenção. Havia em seu rosto tal expressão de astúcia, traição, falsidade, engano e desonra, como nunca antes havia visto em qualquer ser humano. Parecia Judas Iscariotes em pessoa. Para cúmulo, estava mal vestido e visivelmente sob a ação do álcool.

Da Vinci o convidou para que lhe servisse de modelo para rosto de Judas. Depois de vários dias de trabalho, o rosto de Judas podia ser visto na tela. Ao lhe pagar, o artista perguntou como se chamava, e o vagabundo respondeu: “Chamo-me Pietro Bandinelli. Faz vinte anos lhe servi de modelo para o rosto de Jesus.”

Isto, meus queridos ouvintes, ilustra admiravelmente o que pode fazer o mau uso do livre arbítrio. Quando Pietro Bandinelli era jovem, levava uma vida pura e em conseqüência, havia em seu rosto uma expressão bondosa, semelhante ao rosto de Cristo. Quando, porém, anos mais tarde, se entregou deliberadamente a uma vida de desregramento e pecado, a expressão de seu rosto mudou a tal ponto que só serviu para modelar um ladrão e traidor. Foi o mau uso do livre arbítrio o que operou esta mudança na expressão do rosto de Pietro Bandinelli.

Alguém poderá perguntar-se que razões terá tido Lúcifer para transformar-se de querubim cobridor em Satanás. Não há razão alguma que justifique o pecado que é mau uso do livre arbítrio. Pode haver uma desculpa para o pecado, mas nenhuma razão ou justificativa. Se alguém pudesse encontrar uma razão que explicasse a rebelião de Satanás contra Deus, seu ato deixaria de ser pecaminoso, e a culpa recairia sobre o Criador. Ninguém poderá descobrir e menos ainda compreender jamais a razão do mau uso do livre arbítrio.

Há no mundo muitas coisas que não compreendemos, de cuja existência não podemos contudo duvidar. Tomemos, por exemplo, o caso da eletricidade. Sabemos como produzi-la e até armazená-la, porém não podemos vê-la, apesar de termos evidências de sua existência. Por outro lado, aqui está o meu relógio. Em seu interior há uma corda que vibra e faz funcionar uma quantidade de engrenagens que marcam os segundos, os minutos e as horas. Pode alguém dizer-me a razão por que a corda vibra e faz funcionar o delicado mecanismo do relógio? Até hoje ninguém pôde dizer a razão disto. Sabemos que a corda vibra, porém não sabemos por que o faz. Assim sucede também com o mau uso do livre arbítrio. A rebelião não tem justificativa, porém podemos ver suas conseqüências a cada passo.

Deus continua concedendo o livre arbítrio até o dia de hoje, respeitando assim a vontade do homem que criou. Ele não nos obriga a uma obediência cega, mas Lhe agrada que O reconheçamos como Pai amante que só deseja o bem de Seus filhos. A prova desta afirmação se encontra em:

Jer. 21:8 – “Assim diz o SENHOR: Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte.”

Por que Não foi Destruído Satanás quando se Rebelou Contra Deus?

Para que possamos compreender porque Deus não destruiu a Satanás quando o expulsou do Céu, devemos transportar-nos em imaginação ao momento em que Lúcifer se rebelou contra o Criador, exigindo para si os atributos que só pertencem a Cristo, o seu Criador.

Todos os seres celestiais gozavam de livre arbítrio e eram perfeitamente felizes no serviço do Senhor. Eles O adoravam e Lhe tributavam honra e reconhecimento por Sua bondade, e nunca lhes ocorrera que poderiam fazer mau uso daquela maravilhosa faculdade que é o livre arbítrio. As hostes angelicais haviam vivido pelos séculos sem fim em perfeita harmonia com o Criador e encontravam gozo em fazer Sua vontade. Não tinham idéia do que era pecado e tampouco sabiam o que era uma mentira.

Imaginemos por um momento esse ambiente de felicidade e pureza no qual Lúcifer de repente começou a proferir calúnias contra o Filho de Deus, tão só porque desejava usurpar Seu lugar no conselho da Trindade. Ele havia sido sempre honrado e respeitado pelos milhões que compunham as hostes angélicas, e todos os moradores do Céu consideravam-no fiel e verdadeiro. De repente, e para surpresa de todo o Universo, começou a acusar a Deus de tirano e ditador, que lhes negava a liberdade de ação a que todos tinham perfeito direito.

Ademais, Lúcifer declarou que Deus destruiria imediatamente a todo aquele que contrariasse Suas exigências. Como os anjos ignorassem o que fosse uma rebelião e uma mentira, milhões deles creram nas acusações de Lúcifer e se puseram do seu lado. Deus e Seu Filho lhes explicaram que um ser criado não poderia converter-se em Criador e fazer parte da Trindade, e procuraram persuadir bondosamente a Lúcifer a que voltasse de seus maus caminhos, pois o amavam. Porém, seu coração já estava tão endurecido pelo mau uso do livre arbítrio, que não conseguiram. Em sua rebelião ele se tornou cada vez mais audacioso, até que Jesus, esgotados todos os recursos de reconciliação, teve que pedir aos anjos partidários de Lúcifer que se pusessem abertamente do lado do seu chefe.

Segundo Apoc. 12:4, que consideramos no início de nossa palestra, uma terça parte das hostes angélicas se declarou partidária do inimigo de Deus. Assim teve início uma luta no Céu, e que foi crescendo até que chegou a um ponto em que Miguel (Cristo) e Seus anjos tiveram que expulsar aos rebeldes para preservação da paz e da harmonia nas cortes celestes. Os anjos que haviam permanecido fiéis ao Criador, sentiram-se penalizados pelo acontecido, e como é lógico não o podiam esquecer. Em suas mentes se agitava a pergunta: Quem terá finalmente razão ?

Se Deus houveste destruído a Satanás naquela mesma ocasião, e tinha poder para fazê-lo, os anjos fiéis ficariam em dúvida por toda a eternidade quanto à justiça e o amor de Deus, e continuariam a adorá-Lo só pelo temor de correr a mesma sorte se não obedecessem, e assim a felicidade do Céu teria se convertido em desdita e incompreensão. Na luta com Satanás, Deus não podia usar as armas daquele, ou seja a mentira, o ódio, a calúnia e a confusão. Deus é amor e perfeito sempre em todos os Seus atos, e só opera mediante os atributos dos valores permanentes da justiça, do amor e da verdade. Por esta razão o conselho da Divindade decidiu não proceder contra Satanás até que todo o Universo estivesse completamente convencido, ao observar a luta entre Cristo e ele, da inocência de Cristo e da incoercível maldade de Satanás.

Ilustrarei este pensamento: Nestes tempos de luta entre os patrões e os sindicatos de operários, os empregadores devem proceder com muita cautela, sobretudo quando se trata de despedir alguém do emprego. Suponhamos que o dono de uma importante casa comercial descubra que um de seus empregados lhe rouba semanalmente certa mercadoria que em seguida vende em proveito próprio. Se o patrão despedir o empregado infiel sem nenhuma consideração e sem dar oportunidade a que outros também possam observar sua má conduta, o mais provável é que os outros empregados da casa se declarem em greve, a fim de conseguir a reabilitação do empregado “inocente e falsamente acusado.”

Que faz, pois, o patrão inteligente numa situação como esta? Ao se dar conta de que é objeto de roubo por parte de algum de seus empregados, chama a dois ou três dos demais empregados para que vejam com os próprios olhos o procedimento do empregado infiel. Permite que este continue roubando por algum tempo mais, e quando tem testemunhas de sua má conduta, o despede sem lhe dar indenização alguma e com o beneplácito dos demais empregados. Desta maneira o patrão não terá que temer o desagrado dos empregados, mas terá a solidariedade de todos eles.

Isto é o que a Divindade também teve que fazer. Teve que deixar passar o tempo até que todo o Universo estivesse em condições de dar o seu veredito contra Satanás.

O Mundo – Laboratório do Universo

Quando Satanás e sua hoste de simpatizantes foram expulsos do Céu, procuraram “firmar os pés” em outra parte do Universo, a fim de dominá-la e arrebatá-la ao governo de Deus. Desgraçadamente foi nosso planeta o único que se deixou seduzir por eles.

Pelo que podemos inferir de certos passos bíblicos, parece que a rebelião de Lúcifer teve lugar na época da criação do mundo, e não seria nada estranho que sua atitude tenha-se devido, além de outras coisas, ao fato de não haver sido consultado sobre a criação de nosso planeta. Deus havia posto Adão e Eva como senhores do mundo e Satanás procurou convencê-los de que Deus era injusto, que tinha exigências desnecessárias, e assim os induziu a desobedecer ao Criador. Com este golpe astuto Satanás se constitui em príncipe deste mundo, e desde então todo o Universo está contemplando o conflito que se desenrola neste planeta entre Cristo e Satanás. É a luta entre o bem e o mal e tem a finalidade de demonstrar ante o Universo todo qual dos dois tinha razão.

Em outras palavras, nosso planeta, como o expressa S. Paulo em I Cor. 4:9, se converteu em “espetáculo para o mundo, os anjos e os homens.” Quando Jesus Cristo veio a este mundo há 2.000 anos, para redimi-lo com o Seu sacrifício, sabia que nem todos os habitantes do Universo estavam ainda convencidos de Sua inocência em Sua luta já milenária contra Satanás, porque Ele mesmo o disse, segundo se encontra em:

S. João 12:32 e 33 – “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo. Isto dizia, significando de que gênero de morte estava para morrer.”

S. Paulo, ao escrever no primeiro século de nossa era aos Colossenses sobre o significado da morte de Cristo na cruz, fez a seguinte declaração:

(Col. 1:20) – “E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.”

Este texto divinamente inspirado demonstra que quando as hostes do Universo viram como Satanás e seus anjos instigaram as autoridades e o povo para que crucificassem a Cristo, convenceram-se de que o tirano, o injusto e malvado que mata não era este, mas Satanás, o acusador.

A destruição de Satanás e seus seguidores será levada a cabo, como o temos visto ao considerar outra profecia, por Cristo mesmo. Não será isto um ato de vingança, mas uma demonstração de misericórdia para com Seus fiéis seguidores. Será um ato de justiça para com os santos, com o propósito de levar a paz e a felicidade ao Universo.

Por que Satanás Levou o Homem a Rebelar-se Contra Deus?

Muitas pessoas se perguntam por que se deleita Satanás em torturar os seres humanos, Há uma razão que o move a operar com tanta astúcia a fim de induzir os homens a pecar e rebelar-se contra a ordem divina: sabe que é um inimigo vencido; sabe que Deus é mais poderoso do que ele.

Depois de haver sido expulso do Céu, Satanás não pôde fazer nada para vingar-se da Divindade. A única oportunidade que se apresentou para que infligisse uma ferida direta, consistiu em instigar os homens a que torturassem Jesus e O cravassem no madeiro por ocasião do Seu primeiro advento. Mas não pôde reter a Cristo na tumba porque Jesus era Filho de Deus e tinha domínio sobre a morte. Portanto, a única forma em que Satanás pode causar tristeza a nosso Pai celestial e a Cristo, nosso Salvador, é fazer sofrer Seus filhos. Ilustrarei isto com um relato.

Faz alguns anos, na parte sul dos Estados Unidos, muitos dos montanheses conservavam rancores. Suponhamos que a família de um ferreiro houvesse declarado guerra de morte contra outra família que vivia próximo. O ferreiro era um homem dos mais fortes que havia em toda a região, ao passo que o chefe da outra família era um homem muito fraco de físico. Estivera enfermo durante vários anos, e não podia sequer fazer seu trabalho. Num combate físico este homenzinho não teria tido a menor oportunidade de vencer o bem dotado ferreiro; assim procurou idear um plano que lhe permitisse suplantar o mais forte.

Uma noite, quando o homenzinho ia caminhando pela rua, perto da casa do ferreiro, viu uma menina que se dirigia para ele. Quando ela se aproximou, ele viu que era uma filha do ferreiro. Suja mente forjou um terrível plano que imediatamente executou. Apanhou a meninazinha, quando passou a seu lado, e a feriu dos pés à cabeça. Lançou a seguir ao mato que havia ao lado do caminho, deixando-a morrer ali, e fugiu do lugar. Ao final do dia de trabalho, o ferreiro se encaminhou para sua casa. Ao aproximar-se do lugar onde se dera o crime, ouviu gemidos. Dirigiu-se ao lugar, e encontrou sua filhinha ensangüentada e quase morta. Tomou-a nos braços e lhe perguntou o que havia acontecido. Tudo que ela pôde dizer foi o nome do homem que a ferira, e morreu nos braços do pai. O ferreiro sofreu a agonia com sua filhinha. O ato praticado por seu inimigo era o pior que poderia ter feito.

Assim opera também Satanás. Desde a ascensão de Jesus ao Céu, não Lhe pôde vingar-se dEle diretamente. Por isto, concentra agora seus esforços na pessoa de Seus escolhidos. Sabe que o amor do Criador por Seus filhos é ainda maior, mais nobre e mais puro que o da própria mãe pelos seus queridos. Sabe também que cada vez que damos ouvidos a suas insinuações para quebrar a lei de Deus, fazemos sofrer o grande coração de Jesus. Satanás sabe que está perdido e que em breve será destruído, e por isso quer arrastar consigo o maior número possível de seres humanos, pois a miséria busca companhia.

Conclusão

Meus queridos amigos, não cedamos à tentação. Não nos esqueçamos que ao fazê-lo, além de acarretar tristeza sobre nós mesmos, com cada rebelião fazemos sofrer o coração do amante Jesus.

S. Paulo escreve: (I Cor. 15:57) “Mas agradeçamos a Deus, que nos dá a vitória por meio do nosso Senhor Jesus Cristo!”

Apegando-nos a Sua promessa e pedindo Sua ajuda, poderemos ser vencedores. Mas não nos esqueçamos de que Satanás é muito astuto. Ele não diz: “Bom dia, senhora. Sou Satanás e venho para fazê-la cair em pecado durante o dia de hoje.” Tampouco diz: “Boa noite, senhor. Sou Satanás, e venho para fazê-lo cair em imoralidade e injustiça.” Não! Satanás é muito inteligente. É o comerciante por excelência. Cria o desejo e logo supre a mercadoria. Devemos portanto cuidar muito para não cair em suas astúcias.

Somos seres livres e moralmente responsáveis. Deus nos dá a oportunidade de escolher entre o bem e o mal mediante o exercício do livre arbítrio. Nos criou segundo Sua divina semelhança, o que nos permite pensar e agir livremente e também nos faz responsáveis por nossos atos. Não nos dotou do livre arbítrio para que dele fizéssemos mau uso. E embora o mundo se tenha rebelado, ainda existe o livre arbítrio. Lemos em:

Deut. 30:19 – “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência”

Deus não quer forçar nossa vontade. Deixa a escolha a nosso critério. Escolhamos, pois, ser livres: livres do pecado e da injustiça que só nos traz dor, remorso e morte eterna!

O relato a seguir ilustrará a bênção da liberdade das conseqüências do pecado, que é a transgressão dos Dez Mandamentos da lei de Deus.

Certo dia um homem caminhava pelos arredores de Boston, quando se encontrou com um menino que trazia uma gaiola cheia de toda espécie de pássaros da região. Perguntou-lhe :

– Menino, onde você buscou tantos pássaros?
– Eu os apanhei. – O que você vai fazer com eles?
– Vou brincar com eles.
– E depois de você se cansar de brincar com eles, que vai fazer?
– Dá-los ao gato para que os coma.
– Oh – disse o cavalheiro – gostaria de comprar-lhe os pássaros.
– Senhor, para que os quer? Não cantam. Não servem para nada.

Os passarinhos estavam quietinhos na gaiola. Não moviam sequer uma pena. Só esperavam o martírio.

– Quero comprá-los assim mesmo – disse o homem. Quanto você quer por eles?
– Dê-me dez dólares pelos pássaros e a gaiola.

O homem deu o dinheiro, tomou a gaiola e foi embora. O menino, curioso, seguia-o para ver o que ia fazer com os pássaros. O cavalheiro chegou a um determinado lugar e abriu a porta da gaiola Nem um pássaro se moveu. Não perceberam que estavam livres. Com cuidado bateu nos lados da gaiola, e os pássaros saíram um a um e se puseram a voar. O protagonista deste relato, ao comentar o fato mais tarde, disse: “Deu-me grande prazer ver voar um pássaro após outro para a liberdade. Parecia que com o bater das asas, diziam: ‘Livres! Estamos Livres da morte!'”

Amigos, Satanás nos tem engaiolado; somos prisioneiros na gaiola do pecado. Faz 2.000 anos, Cristo deixou o Céu e veio à Terra para abrir a porta da gaiola do pecado. Veio dar liberdade aos que estavam presos. A porta está aberta hoje. Por que não fugir do pecado e ser livres com Cristo? Por que permanecermos na gaiola do pecado se Cristo abriu a porta? Respondamos ao chamado de Jesus. Usemos nosso livre arbítrio para o bem e não para o mal. Apartemo-nos de todo pecado, e sejamos vencedores pela fé em nosso amado Mestre.

Pr. Walter Schubert

quinta-feira, 27 de abril de 2023

ESTUDOS SOBRE TEMAS ATUAIS

 Aqui você encontra vários estudos Bíblicos sobre temas atuais como: Clonagem humana, AIDS, Divórcio, Evolucionismo, etc...

ADOLESCENTES


NÃO É FÁCIL SER PAI... TAMPOUCO ADOLESCENTE!

Bárbara Jurgensen


“Às vezes teus pais não te compreendem ou não querem colocar-se em seu lugar. Você tentou colocar-se no lugar deles?”


PAIS! UFA!!

Os pais se comportam, às vezes, de formas muito estranhas. Quando você é pequeno, sempre andavam atrás de você dizendo para lavar as mãos e se pentear. Agora, se veem você diante do espelho, riem e falam que é um convencido. Não há quem os entenda!
Em determinado momento estão furiosos porque dizem que é demasiado independente; no minuto seguinte se queixam alegando que sempre está “grudado” a eles e que não é suficientemente independente.
Te ridicularizam diante de teus amigos, não respeitam sua vida privada; enfim, somente parecem desfrutar amargurando a sua existência e fazendo-lhe a vida muito mais difícil do que já é.
E, é a isto que se chama de “ser pais”?
Não se dão conta de que os adolescentes também tem seus próprios sentimentos?
Sim, é claro que se dão conta. Mas estão rodeados de tantos problemas, e preocupados por tantas dificuldades, que a grande realidade de que você é um ser humano, com direito a pensar, a sentir e a viver por você mesmo, às vezes parece ficar relegado a um segundo plano.
O certo é que quando os filhos se convertem em adolescentes, os pais enfrentam uma situação completamente nova, que a maioria das vezes é surpreendente e inesperada: seus filhos queridos, bons e obedientes, se convertem em um momento para outro em adolescentes voluntariosos e difíceis de governar.
Da noite para o dia se veem com toda sorte de novas situações: seus filhos saem com garotas (ou vice-versa), assistem a excursões de vários dias, praticam esportes perigosos, começam a trabalhar...
É verdade que também eles passaram por tudo isto, mas com uma diferença: não como pais, senão como adolescentes. Naquela ocasião os pais eram outros, que lutavam e reprimiam, e era eles quem tocava exigir. Mas agora, tem passado a ocupar o lugar de pais, e se sentem responsáveis por você, e na obrigação de ajudá-lo em toda classe de dificuldades e problemas, a maioria dos quais são totalmente novos para você. Deve compreender que para eles, somente o fato de viver com você, com seus costumes, sua música e sua forma de se vestir, já lhes é difícil, quando não frustrante. Não tem que ficar espantado, pois se algumas vezes se mostrarem inquietos e preocupados.
Possivelmente passaram a ocupar sua posição de pais sem estarem tão bem preparados como deveriam. Muitos pais arrastam consigo um lastro de problemas de sua própria infância e juventude; problemas que às vezes se remontam a várias gerações atrás, dentro da tradição da família. Têm todo tipo de temores. Estão inseguros de suas próprias ideias e valores, e possivelmente ainda não tem realizado um projeto de vida que os satisfaça totalmente.
Por outra parte, seu crescimento e desenvolvimento tem criado neles um sentimento mais vivo de dor que produz na vida a perda dessas coisas que se querem.
Para alguns pais, ao dar-se conta de que seus filhos estão crescendo também os faz perceberem de que estão envelhecendo, de que a vida passa com rapidez; tem que enfrentar a triste realidade de que os anos passam velozmente e ainda não tem alcançado os objetivos que se haviam proposto na vida, e que possivelmente já não poderão alcançar.
Esse sentimento de frustração pode conduzir os pais a uma ambição muito comum: tratar de conseguir por seu intermédio tudo o que para eles foram sonhos impossíveis. E isto pode chegar a ser uma verdadeira fonte de problemas.
Outra das razões que motiva muitas vezes a intranquilidade e o desassossego de seus pais são os comentários da imprensa sensacionalista. Em revistas e periódicos leem continuamente artigos nos quais se afirma que os pais são responsáveis de todos os problemas da juventude; que os pais são os culpados da degeneração social; que para ser bons pais tem a obrigação de lutar até o fim. E isto os assusta. Nos dias de seus avós, se João era um mal filho, e se comportava como tal, a culpa era do próprio João, de ninguém mais. Em nossos dias, os seus pais são acusados por não haverem sabido tratá-lo, educá-lo e encaminhá-lo corretamente.
Assim pois, deve enfrentar a realidade: ainda que seja um filho modelo, um adolescente perfeito, seus pais continuarão vendo problemas em você, enfrentando-o quase todo o tempo. Não importa o que terá de fazer para agradá-los, não importa o muito que se esforce em tratar de ser um paradigma de adolescente, seus pais seguirão pensando que seus anos de adolescência são os mais difíceis que eles tem tido que enfrentar.

ADOLESCENTES! AI!

Assim vê você a seus pais. Agora vejamos como eles veem você. Os anos da adolescência não são fáceis. Pode ser que ultimamente tenha crescido tanto que você já quase não se reconhece. Ou quiçá, seja ao revés, e seu crescimento é tão lento comparado com o de seus amigos, que te faz sentir um pouco criança quando está com eles. Possivelmente, o desenvolvimento físico tenha feito você engordar muito e tenhas pernas e braços gordos. Às vezes você se pergunta como te veem os demais, e se preocupa pensando se realmente chegará a ser o tipo de homem ou mulher que gostaria.
Pouco a pouco, irá se sentindo mais filosófico e pensador. Terá dado conta do que significa ser um mesmo, separado do grupo que formam os demais. Ultimamente tem começado a perguntar-se quem você é, que é a vida e para que está nela.
E o mal é que enfrenta estes problemas em um mundo que a maior parte das vezes se lhe apresenta pouco amistoso, bastante hostil. Certamente a adolescência pode chegar a ser uma época de verdadeira angústia. E a medida que a maturidade se aproxima, a angústia aumenta. Te preocupa a possibilidade de tomar decisões equivocadas - a carreira, o matrimônio, o trabalho, etc. Duvida de sua capacidade para enfrentar todas as responsabilidades de um adulto maduro e responsável.
Por isto quer que te compreendam, que reconheçam seu valor, que se deem conta de que é uma pessoa capaz de assumir responsabilidades. Mas os que te rodeiam não parecem muito dispostos a ajudá-lo.
Se tem treze anos, teus pais queixam-se de que é muito sensível, de que não se pode dizer-lhe nenhuma palavra sem que você se inflame como pólvora. Por outra parte, alegam que é pouco comunicativo, que não lhes conta nada e que sempre responde com monossílabos às suas perguntas. Possivelmente, você também se dá conta de que não é como os demais, todo amável e simpático como deveria ser, mas tem tantas coisas em que pensar que não lhe sobra tempo para suportar as “tontices” da família.
Se tem catorze, possivelmente já terá resolvido parte dos problemas que te preocupavam aos treze. Sua atitude frente a seus pais é mais serena, e também eles parecem compreendê-lo melhor; se esforçam em ajudá-lo mais e te criticam menos.
Aos quinze anos o problema se agrava outra vez. Teus pais se queixam de que quase não lhes dirige a palavra, de que você guarda tudo, de que se comporta como um mal educado e se veste de forma desalinhada. A verdade é que começas a sentir-se bastante independente. É certo que tens muitas coisas sobre as quais gostaria de dialogar, mas não com seus pais! Você começou a descobrir uma montanha de problemas da idade adulta que pouco a pouco estão aparecendo, e ao mesmo tempo se dá conta de suas próprias limitações para superá-los. Com a esperança de compreender melhor a você mesmo e aos que te rodeiam se tornou um pouco psicológico. Não desanimes; a maioria dos problemas que agora enfrenta desaparecerão no próximo ano.
Aos dezesseis as coisas mudam, você perceberá que a vida não é tão difícil como pensava. Terá aprendido a controlar melhor suas próprias emoções, e vai se sentir mais sociável e amistoso e tentará compreender o ponto de vista dos demais. Sentirá mais confiança em si mesmo, e isto fará ser possível opinar com melhor critérios os outros.
Terá alcançado a primeira fase da maturidade, e pode ser que isto faça que com que seus pais, ao perceberem que já não é tão criança, abram um pouco as mãos, o que motivará maior compreensão. Quando lhe expor um problema, pode confiar em que o tratarão como a um adulto. Pouco a pouco compreenderá que as restrições e proibições que lhe haviam imposto, em certo sentido eram necessárias, e você se sentirá agradecido pela maior margem de liberdade que lhe concedem. Ainda que seja difícil aceitar as proibições que todavia te impõem, pouco a pouco dará conta de que seus pais, no fundo, são bastante razoáveis, e de que se pode dialogar com eles. Trate de aceitar a distância que o separa deles. Não se arrependerá.
Talvez se sinta tentado a pensar que é demasiado difícil ser adolescente. Tem razão. Mas lembre-se que não é fácil ser pais de um adolescente.


COMO CONVIVER COM OS ADOLESCENTES


“Conviver com adolescentes pode resultar em uma experiência estimulante e alegre, cheia de novas ideias e de esperanças. Assim que... aprendamos a desfrutar desta experiência.”


Sobreviver nem sempre é fácil, sobretudo quando se tem um adolescente em casa. Mas as famílias necessitam mais que a mera convivência. Necessitam também alegria, comunicação e amizade. E não há razão alguma para que não tenham estas coisas.


1. DEIXE QUE SE LEVANTEM POR SI MESMOS.

Algumas famílias começam cada dia com uma pequena guerra, porque mamãe chama e ralha aos meninos, chama e ralha, ralha e chama, e volta a repetir o processo uma e outra vez. O adolescente resmunga metade dormindo, metade desperto: “É muito cedo!”, “Chama-me novamente em cinco minutos”, ou simplesmente finge que não escutou.
Como os adolescentes vivem lutando por sua independência, porque não deixá-los que se independam desde cedo, na manhã (ou que comecem desde a manhã de forma independente)? Chamá-los apenas uma vez. Se voltarem a dormir e como resultado disto, perderem alguma atividade importante, logo aprenderá a lição. Deste modo, a família evita uma quantidade de discussões e de frustrações.

2. QUE OS TOQUES DA QUEDA SEJAM FLEXÍVEIS.

Deve existir certa flexibilidade nos horários fixados para voltar para casa e para ir dormir, e esses horários devem ser discutidos com calma pelos afetados. Se você insiste inflexivelmente em que seus adolescentes estejam de volta em casa a uma hora determinada, isso pode privar a seus filhos de alguma atividade grupal inofensiva e agradável, e de, se for esse o caso, ofendê-los desnecessariamente.
No que me diz respeito, não creio que um adolescente que volta para casa às nove da noite tenha menos probabilidade de “andar em algo” que um que regresse à sua casa mais tarde. Me preocupa mais a natureza da saída, a companhia e a disponibilidade de transporte.

3. ACEITE AS DIFERENÇAS QUE EXISTEM ENTRE SEUS FILHOS.

Os filhos homens, não tem porque ser íntimos amigos de seus irmãos ou vice-versa. Tampouco deve pretender-se que sintam um particular agrado uns com respeito de outros. Às vezes, seus interesses e personalidades são demasiado diferentes como para que se possa esperar uma verdadeira afinidade entre eles.
Sem dúvida, os irmãos deveriam aprender desde sua mais tenra idade a tratar-se mutuamente com respeito; a respeitar os sentimentos, as idéias, o tempo, e os pertences de cada um. Mas a menos que seja absolutamente necessário, penso que não é o melhor fazer que um membro da família seja pesado com a responsabilidade de outro.

4. SEJA UM BOM OUVINTE.

A maior parte do que tenho que escutar de meus filhos adolescentes, o tenho escutado entre a meia-noite e as três da manhã. Quando me sinto tranqüilamente para ler ou costurar, meus filhos se sentem menos ameaçados e estão mais predispostos a abrir seu coração. Eles não querem conselhos (quem os quer?). O que querem é falar a fim de clarear seus sentimentos e idéias.
Se eles estão indecisos frente a dois possíveis cursos de ação, somente pergunte-lhes: “Se fizer isto, o que pensa que será o resultado daqui a seis meses? Quais são as vantagens e as desvantagens?”. Escutando-os, você pode ajudá-los a ver os dois lados do problema. E sempre, uma pergunta ou sugestão pode colocá-los no caminho certo. Mas é inútil tentar falar com os adolescentes a menos que eles também estejam dispostos a fazê-lo.

5. NÃO SEJA DOGMÁTICO.

Não perca o controle nas discussões. Não diga: “Isso seria um grande erro. Não deve fazê-lo. Não sabe o que está dizendo.”
É muito melhor dizer: “Porque pensa assim? Conhece algum fato ou experiência que confirmem sua ideia? É uma ideia interessante; creio que vale a pena considerá-la mais a fundo.”
Muitas famílias tem o costume de despertar discussões com assuntos hipotéticos. Conheci uma família que costumava discutir acaloradamente acerca de se um homem e uma mulher deviam ou não viver juntos sem estar casados. Os adolescentes dessa família não tinham a menor intenção de fazer isso, mas defendiam acaloradamente o direito de seus amigos de decidirem por si mesmos.
Trate de desenvolver sua sensibilidade a tal ponto que ela lhe permita saber quando colocar fim a uma discussão.

6. MANTENHA A CALMA.

Os adultos deveriam ter maior domínio próprio e sabedoria que os adolescentes. Use essas qualidades e lembre que os adolescentes são emotivos, sumamente susceptíveis e facilmente inflamáveis.
Os adultos deveriam ser mais compreensivos com os adolescentes, posto que já temos experimentado os sentimentos e os problemas que eles estão vivendo. Deveríamos recordar as pressões e os sofrimentos de nossa própria juventude: as repulsas ou indiferenças, as frustrações, a timidez, e o acabrunhamento. Deveríamos demonstrar aos adolescentes que os aceitamos e que os compreendemos.

7. ESQUEÇAMOS AS PEQUENAS COISAS.

Concentre-se nos assuntos de maior importância. Se você pode ser flexível no tamanho do cabelo, e na escolha da roupa, é mais provável que seus filhos estejam dispostos a responder às normas de comportamento que você espera que sigam em assuntos como o respeito pelos demais, as responsabilidades financeiras, escolares e trabalhos; o interesse pela família, pelos amigos e por seu bem-estar físico, mental e espiritual.

8. CONSERVE SEU SENSO DE HUMOR.

O humor, usado com sabedoria, pode diluir muito uma situação difícil. Um gracejo ou um comentário gracioso podem aliviar a tensão e fazer que todos se unam por meio do riso. Mas evite a ironia, o sarcasmo, a burla, posto que os adolescentes são em geral, reprimidos e muitos susceptíveis a tudo o que os possa ridicularizar.


9. NÃO SE OPONHA A CADA AMIGO/AMIGA ESPECIAL COMO SE A RELAÇÃO FOSSE ACABAR EM CASAMENTO.

Trate de não interferir. Não podemos saber de antemão qual relação se transformará em algo duradouro e permanente; ou, no caso de que sejam duradouras e permanentes, quais delas seguirão sendo felizes e estáveis.
Se seus filhos são felizes em casa e com seus amigos, haverá menos possibilidades de que comecem relações inadequadas, pois isto geralmente ocorre quando o adolescente se sente só, miserável ou aborrecido.


10. DESFRUTE DE SEUS FILHOS ADOLESCENTES ENQUANTO PODE.

Concentre-se no que pode compartilhar com seus adolescentes e não nas diferenças que existem entre você e eles.
Você tem visto com alegria como cresciam até converter-se em adolescentes, e quer seguir sendo amigo de seus filhos. Trate então de gozar com eles, e de guardar essa alegria como ela é, um tesouro.
Viver com adolescentes pode ser às vezes uma questão de sobrevivência. Mas também pode ser uma experiência estimulante e alegre, cheia de novas ideias e de esperanças. Assim que... aprendamos a desfrutar desta experiência.


Extraído do Site: 
 jesusvoltara.com.br