sábado, 15 de novembro de 2014

"A ORIGEM DO MAL"


Enquanto todos os seres criados reconheceram a lealdade pelo amor, houve perfeita harmonia por todo o Universo de Deus. Deleitavam-se em refletir a Sua glória, e patentear o Seu louvor. E enquanto foi supremo o amor para com Deus, o amor de uns para com outros foi cheio de confiança e abnegado. (…)

Sobreveio, porém, uma mudança neste estado de felicidade. Houve um ser que perverteu a liberdade que Deus concedera a Suas criaturas. O pecado originou-se com aquele que, abaixo de Cristo, fora o mais honrado por Deus, e o mais elevado em poder e glória entre os habitantes do Céu. Lúcifer, “filho da alva”, era o primeiro dos querubins cobridores(a), santo, incontaminado. Permanecia na presença do grande Criador, e os incessantes raios de glória que cercavam o eterno Deus, repousavam sobre ele. Assim diz o Senhor Jeová:

“Tu és o aferidor da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura. Estavas no Éden, jardim de Deus; toda a pedra preciosa era a tua cobertura. (…) Tu eras querubim ungido para proteger, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti.” (Ezequiel 28:12-15)
Pouco a pouco Lúcifer veio a condescender com o desejo de exaltação própria. Dizem as Escrituras: “Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor.” (Ezequiel 28:17). “Tu dizias no teu coração: Eu subirei ao Céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens e serei semelhante ao Altíssimo.” (Isaías 14:13-14).

Se bem que toda a sua glória proviesse de Deus, este poderoso anjo veio a considerá-la como pertencente a si próprio. Não contente com sua posição, embora fosse mais honrado do que a hoste celestial, arriscou-se a cobiçar a homenagem devida unicamente ao Criador. Em vez de procurar fazer com que Deus fosse o alvo supremo das afeições e fidelidade de todos os seres criados, consistiu o seu esforço em obter para si o serviço e lealdade deles. E, cobiçando a glória que o infinito Pai conferira a Seu Filho, este príncipe dos anjos aspirou ao poder que era a prerrogativa de Cristo apenas.

Quebrantou-se então a perfeita harmonia do Céu. A disposição de Lúcifer para servir a si em vez do Criador, suscitou um sentimento de apreensão ao ser observada por aqueles que consideravam dever a glória de Deus ser suprema. No conselho celestial os anjos insistiam com Lúcifer. O Filho de Deus apresentou perante ele a grandeza, a bondade e a justiça do Criador; e, a natureza imutável e sagrada de Sua lei. Mas a advertência, feita com amor e misericórdia infinitos, apenas despertou espírito de resistência. Lúcifer consentiu que prevalecessem seus sentimentos de inveja para com Cristo, e se tornou mais decidido. (…)

O Rei do Universo convocou os exércitos celestiais perante Ele, para, em sua presença, apresentar a verdadeira posição de Seu Filho, e mostrar a relação que Este mantinha para com todos os seres criados. (…) Os anjos alegremente reconheceram a supremacia de Cristo, e, prostrando-se diante dEle, extravasaram seu amor e adoração. Lúcifer curvou-se com eles; mas em seu coração havia um conflito estranho, violento. A verdade, a justiça e a lealdade estavam a lutar contra a inveja e o ciúme. A influência dos santos anjos pareceu por algum tempo levá-lo com eles. Ao ascenderem os cânticos de louvores, em melodiosos acordes, avolumados por milhares de alegres vozes, o espírito do mal pareceu subjugado; indizível amor fazia fremir todo o seu ser; em concerto com os adoradores destituídos de pecado, expandia-se-lhe a alma em amor para com o Pai e o Filho.

De novo, porém, achou-se repleto de orgulho por sua própria glória. Voltou-lhe o desejo de supremacia, e uma vez mais condescendeu com a inveja de Cristo. As altas honras conferidas a Lúcifer não eram apreciadas como um dom especial de Deus, e, portanto, não provocavam lhe gratidão para com o seu Criador. Ele se gloriava em seu brilho e exaltação, e almejava ser igual a Deus. Era amado e reverenciado pelo exército celestial, anjos se deleitavam em executar suas ordens, e estava ele revestido de sabedoria e glória mais do que todos eles. Contudo, o Filho de Deus era mais exaltado do que ele, sendo um em poder e autoridade com o Pai. Partilhava dos conselhos do Pai, enquanto Lúcifer não penetrava assim nos propósitos de Deus. “Por que”, perguntava este poderoso anjo, “deveria Cristo ter a primazia? Por que é Ele mais honrado do que Lúcifer?”


Deixando seu lugar na presença imediata do Pai, Lúcifer saiu a difundir o espírito de descontentamento entre os anjos. Ele agia em misterioso segredo, e durante algum tempo escondeu seu propósito real sob uma aparência de reverência para com Deus. Começou a insinuar dúvidas com respeito às leis que governavam os seres celestiais, dando a entender que, conquanto pudessem as leis ser necessárias para os habitantes dos mundos, não necessitavam de tais restrições os anjos, mais elevados por natureza, pois que sua sabedoria era um guia suficiente. Não eram eles seres que pudessem acarretar desonra a Deus; todos os seus pensamentos eram santos; não havia para eles maior possibilidade de errar para com o próprio Deus.

A exaltação do Filho de Deus à igualdade com o Pai, foi representada como sendo uma injustiça a Lúcifer, o qual, pretendia-se, ter também direito à reverência e à honra. Este príncipe dos anjos alegava que, se pudesse tão-somente alcançar a sua verdadeira e elevada posição, grande bem resultaria para todo o exército do Céu; pois era seu objetivo conseguir liberdade para todos. (…) Muitos dos anjos ficaram cegos pelos enganos de Lúcifer.

Tirando vantagem da amável e leal confiança nele depositada pelos seres santos que estavam sob suas ordens, com tal arte infiltrara em suas mentes a sua própria desconfiança e descontentamento que sua participação não foi percebida. Lúcifer havia apresentado os propósitos de Deus sob uma luz falsa, interpretando-os mal e torcendo-os, de modo a incitar a dissensão e descontentamento. Astuciosamente levou os ouvintes a dar expressão aos seus sentimentos; então eram tais expressões repetidas por ele quando isto servisse aos seus intuitos, como prova de que os anjos não estavam completamente de acordo com o governo de Deus. Ao mesmo tempo em que, de sua parte, pretendia uma perfeita fidelidade para com Deus, insistia que modificações na ordem e leis do Céu eram necessárias para a estabilidade do governo divino.

Assim, enquanto trabalhava para provocar oposição à lei de Deus, e infiltrar seu próprio descontentamento na mente dos anjos sob seu mando, ostensivamente estava ele procurando remover o descontentamento e reconciliar anjos desafetos com a ordem do Céu. Ao mesmo tempo em que secretamente fomentava a discórdia e a rebelião, com uma astúcia consumada fazia parecer como se fosse seu único intuito promover a lealdade, e preservar a harmonia e a paz. (…)

Com grande misericórdia, de acordo com o Seu caráter divino, Deus suportou longamente a Lúcifer. O espírito de descontentamento e desafeição nunca antes havia sido conhecido no Céu. Era um elemento novo, estranho, misterioso, inexplicável. O próprio Lúcifer não estivera a princípio ciente da natureza verdadeira de seus sentimentos; durante algum tempo receou exprimir a ação e imaginações de sua mente; todavia não as repeliu. Não via para onde se deixava levar. Entretanto, esforços que somente o amor e a sabedoria infinitos poderiam imaginar, foram feitos para convencê-lo de seu erro. Provou-se que sua desafeição era sem causa, e fez-se-lhe ver qual seria o resultado de persistir em revolta. Lúcifer estava convencido de que não tinha razão. Viu que “justo é o Senhor em todos os Seus caminhos, e santo em todas as Suas obras” (Salmos 145:17); que os estatutos divinos são justos, e que, como tais, ele os deveria reconhecer perante todo o Céu. Houvesse ele feito isto, poderia ter salvo a si mesmo e a muitos anjos.

Ele não tinha naquele tempo repelido totalmente sua lealdade a Deus. Embora tivesse deixado sua posição como querubim cobridor, se contudo estivesse ele disposto a voltar para Deus, reconhecendo a sabedoria do Criador, e satisfeito por preencher o lugar a ele designado no grande plano de Deus, teria sido reintegrado em suas funções. Chegado era o tempo para um decisão final; deveria render-se completamente à soberania divina, ou colocar-se em franca rebelião. Quase chegou à decisão de voltar; mas o orgulho o impediu disto. Era sacrifício demasiado grande, para quem fora tão altamente honrado, confessar que estivera em erro, que suas imaginações eram errôneas, e render-se à autoridade que ele procurara demonstrar ser injusta.

Um compassivo Criador, sentindo terna piedade por Lúcifer e seus seguidores, procurava fazê-los retroceder do abismo de ruína em que estavam prestes a imergir. Sua misericórdia, porém, foi mal-interpretada. Lúcifer apontou a longanimidade de Deus como uma prova de sua superioridade, como indicação de que o Rei do Universo ainda concordaria com suas imposições. Se os anjos permanecessem firmes com ele, declarou, poderiam ainda ganhar tudo que desejassem. Persistentemente defendeu sua conduta, e entregou-se amplamente ao grande conflito contra seu Criador. Assim foi que Lúcifer, “o portador de luz”, aquele que participava da glória de Deus, que servia junto ao Seu trono, tornou-se, pela transgressão, Satanás, o “adversário” de Deus e dos seres santos, e destruidor daqueles a quem o Céu confiou a guia e guarda.

Deixando seu lugar na presença imediata do Pai, Lúcifer saiu a difundir o espírito de descontentamento entre os anjos. Ele agia em misterioso segredo, e durante algum tempo escondeu seu propósito real sob uma aparência de reverência para com Deus. Começou a insinuar dúvidas com respeito às leis que governavam os seres celestiais, dando a entender que, conquanto pudessem as leis ser necessárias para os habitantes dos mundos, não necessitavam de tais restrições os anjos, mais elevados por natureza, pois que sua sabedoria era um guia suficiente. Não eram eles seres que pudessem acarretar desonra a Deus; todos os seus pensamentos eram santos; não havia para eles maior possibilidade de errar para com o próprio Deus.

A exaltação do Filho de Deus à igualdade com o Pai, foi representada como sendo uma injustiça a Lúcifer, o qual, pretendia-se, ter também direito à reverência e à honra. Este príncipe dos anjos alegava que, se pudesse tão-somente alcançar a sua verdadeira e elevada posição, grande bem resultaria para todo o exército do Céu; pois era seu objetivo conseguir liberdade para todos. (…) Muitos dos anjos ficaram cegos pelos enganos de Lúcifer.

Tirando vantagem da amável e leal confiança nele depositada pelos seres santos que estavam sob suas ordens, com tal arte infiltrara em suas mentes a sua própria desconfiança e descontentamento que sua participação não foi percebida. Lúcifer havia apresentado os propósitos de Deus sob uma luz falsa, interpretando-os mal e torcendo-os, de modo a incitar a dissensão e descontentamento. Astuciosamente levou os ouvintes a dar expressão aos seus sentimentos; então eram tais expressões repetidas por ele quando isto servisse aos seus intuitos, como prova de que os anjos não estavam completamente de acordo com o governo de Deus. Ao mesmo tempo em que, de sua parte, pretendia uma perfeita fidelidade para com Deus, insistia que modificações na ordem e leis do Céu eram necessárias para a estabilidade do governo divino.

Assim, enquanto trabalhava para provocar oposição à lei de Deus, e infiltrar seu próprio descontentamento na mente dos anjos sob seu mando, ostensivamente estava ele procurando remover o descontentamento e reconciliar anjos desafetos com a ordem do Céu. Ao mesmo tempo em que secretamente fomentava a discórdia e a rebelião, com uma astúcia consumada fazia parecer como se fosse seu único intuito promover a lealdade, e preservar a harmonia e a paz. (…)

Com grande misericórdia, de acordo com o Seu caráter divino, Deus suportou longamente a Lúcifer. O espírito de descontentamento e desafeição nunca antes havia sido conhecido no Céu. Era um elemento novo, estranho, misterioso, inexplicável. O próprio Lúcifer não estivera a princípio ciente da natureza verdadeira de seus sentimentos; durante algum tempo receou exprimir a ação e imaginações de sua mente; todavia não as repeliu. Não via para onde se deixava levar. Entretanto, esforços que somente o amor e a sabedoria infinitos poderiam imaginar, foram feitos para convencê-lo de seu erro. Provou-se que sua desafeição era sem causa, e fez-se-lhe ver qual seria o resultado de persistir em revolta. Lúcifer estava convencido de que não tinha razão. Viu que “justo é o Senhor em todos os Seus caminhos, e santo em todas as Suas obras” (Salmos 145:17); que os estatutos divinos são justos, e que, como tais, ele os deveria reconhecer perante todo o Céu. Houvesse ele feito isto, poderia ter salvo a si mesmo e a muitos anjos.

Ele não tinha naquele tempo repelido totalmente sua lealdade a Deus. Embora tivesse deixado sua posição como querubim cobridor, se contudo estivesse ele disposto a voltar para Deus, reconhecendo a sabedoria do Criador, e satisfeito por preencher o lugar a ele designado no grande plano de Deus, teria sido reintegrado em suas funções. Chegado era o tempo para um decisão final; deveria render-se completamente à soberania divina, ou colocar-se em franca rebelião. Quase chegou à decisão de voltar; mas o orgulho o impediu disto. Era sacrifício demasiado grande, para quem fora tão altamente honrado, confessar que estivera em erro, que suas imaginações eram errôneas, e render-se à autoridade que ele procurara demonstrar ser injusta.


Um compassivo Criador, sentindo terna piedade por Lúcifer e seus seguidores, procurava fazê-los retroceder do abismo de ruína em que estavam prestes a imergir. Sua misericórdia, porém, foi mal-interpretada. Lúcifer apontou a longanimidade de Deus como uma prova de sua superioridade, como indicação de que o Rei do Universo ainda concordaria com suas imposições. Se os anjos permanecessem firmes com ele, declarou, poderiam ainda ganhar tudo que desejassem. Persistentemente defendeu sua conduta, e entregou-se amplamente ao grande conflito contra seu Criador. Assim foi que Lúcifer, “o portador de luz”, aquele que participava da glória de Deus, que servia junto ao Seu trono, tornou-se, pela transgressão, Satanás, o “adversário” de Deus e dos seres santos, e destruidor daqueles a quem o Céu confiou a guia e guarda.

Rejeitando com desdém os argumentos e rogos dos anjos fiéis, acusou-os de serem escravos iludidos. A preferência mostrada para com Cristo declarou ele ser um ato de injustiça tanto para si como para todo o exército celestial, e anunciou que não mais se sujeitaria a esta usurpação dos direitos, seus e deles. Nunca mais reconheceria a supremacia de Cristo. Resolvera reclamar a honra que deveria ter sido conferida a ele, e tomar o comando de todos os que se tornassem seus seguidores; e prometeu àqueles que entrassem para as suas fileiras um governo novo e melhor, sob o qual todos desfrutariam liberdade. Grande número de anjos deram a entender seu propósito de o aceitar como seu chefe. Lisonjeado pelo apoio com que suas insinuações eram recebidas, esperou conquistar todos os anjos para o seu lado, tornar-se igual ao próprio Deus, e ser obedecido por todo o exército celestial.

Os anjos fiéis ainda instavam com ele e com os que com ele simpatizavam, para que se submetessem a Deus; apresentavam-lhes o resultado inevitável caso se recusassem a isso: Aquele que os criara poderia subverter seu poder, e castigar de maneira notável sua revoltosa ousadia. Nenhum anjo poderia com êxito opor-se à lei de Deus, que é tão sagrada como Ele próprio. Advertiram todos a que fechassem os ouvidos ao raciocínio enganador de Lúcifer, e insistiram com este e seus seguidores para buscarem a presença de Deus sem demora, e confessarem o erro de pôr em dúvida Sua sabedoria e autoridade.

Muitos estiveram dispostos a dar atenção a este conselho, arrepender-se de sua desafeição, e procurar de novo ser recebidos no favor do Pai e de Seu Filho. Lúcifer, porém, tinha pronto outro engano. O grande rebelde declarou então que os anjos que com ele se uniram tinham ido muito longe para voltarem; que ele conhecia a lei divina, e sabia que Deus não perdoaria. Declarou que todos os que se sujeitassem à autoridade do Céu seriam despojados de sua honra, rebaixados de sua posição. Quanto a si, estava decidido a nunca mais reconhecer a autoridade de Cristo. A única maneira de agir que restava a ele e seus seguidores, dizia, consistia em vindicar sua liberdade, e adquirir pela força os direitos que não lhes haviam sido de boa vontade concedidos.

Tanto quanto dizia respeito ao próprio Satanás, era verdade que ele havia ido agora demasiado longe para que pudesse voltar. Mas não era assim com os que tinham sido iludidos pelos seus enganos. Para estes, os conselhos e rogos dos anjos fiéis abriram uma porta de esperança; e, se houvessem eles atendido a advertência, poderiam ter sido arrancados da cilada de Satanás. Mas ao orgulho, ao amor para com seu chefe, e ao desejo de uma liberdade sem restrições permitiu-se terem o domínio, e as instâncias do amor e misericórdia divinos foram finalmente rejeitadas.

Deus permitiu que Satanás levasse avante sua obra até que o espírito de desafeto amadurecesse em ativa revolta. Era necessário que seus planos se desenvolvessem completamente a fim de que todos pudessem ver sua verdadeira natureza e tendência. Lúcifer, sendo o querubim ungido, fora altamente exaltado; era grandemente amado pelos seres celestiais, e forte era sua influência sobre eles. O governo de Deus incluía não somente os habitantes do Céu, mas de todos os mundos que Ele havia criado; e Lúcifer concluiu que, se ele pôde levar consigo os anjos do Céu à rebelião, poderia também levar todos os mundos. (…) Seu poder para enganar era muito grande. Disfarçando-se sob a capa da falsidade, alcançara uma vantagem. Todos os seus atos eram de tal maneira revestidos de mistério, que era difícil aos anjos descobrir a verdadeira natureza de sua obra. (…) Mesmo os anjos fiéis não podiam discernir-lhe completamente o caráter, ou ver para onde sua obra estava a levar.

Lúcifer havia a princípio dirigido suas tentações de tal maneira que ele próprio não pareceu achar-se comprometido. Os anjos que ele não pôde trazer completamente para o seu lado, acusou-os de indiferentes aos interesses dos seres celestiais. Da mesma obra que ele próprio estava a fazer, acusou os anjos fiéis. Consistia sua astúcia em perturbar com argumentos sutis, referentes aos propósitos de Deus. Tudo que era simples ele envolvia em mistério, e por meio de artificiosa perversão lançava a dúvida sobre as mais claras declarações de Jeová. E sua elevada posição, tão intimamente ligada com o governo divino, dava maior força a suas representações. (…)

Procurara falsificar a Palavra de Deus, e de maneira errônea figurara Seu plano de governo, pretendendo que Deus não era justo ao impor leis aos anjos; que, exigindo submissão e obediência de Suas criaturas, estava simplesmente a procurar a exaltação de Si mesmo. (…) Satanás fizera com que parecesse estar ele procurando promover o bem do Universo. O verdadeiro caráter do usurpador e seu objetivo real devem ser compreendidos por todos. Ele deve ter tempo para manifestar-se pelas suas obras iníquas.


A discórdia que sua conduta determinara no Céu, Satanás lançara sobre o governo de Deus. Todo o mal declarou ele ser o resultado da administração divina. Alegava que era seu objetivo aperfeiçoar os estatutos de Jeová. Por isso permitiu Deus que ele demonstrasse a natureza de suas pretensões, a fim de mostrar o efeito de suas propostas mudanças(b) na lei divina. A sua própria obra o deve condenar. Satanás pretendera desde o princípio que não estava em rebelião. O Universo todo deve ver o enganador desmascarado.

Mesmo quando foi expulso do Céu, a Sabedoria infinita não destruiu Satanás. (…) Os habitantes do Céu, e dos mundos, não estando preparados para compreender a natureza ou conseqüência do pecado, não poderiam ter visto então a justiça de Deus na destruição de Satanás.

Houvesse ele sido imediatamente destruído, alguns teriam servido a Deus pelo temor em vez de o fazer pelo amor. A influência do enganador não teria sido completamente destruída, tampouco o espírito de rebelião teria sido totalmente desarraigado. Para o bem de todo o Universo, através dos intérminos séculos, ele deveria desenvolver mais completamente seus princípios, a fim de que suas acusações contra o governo divino pudessem ser vistas sob sua verdadeira luz, por todos os seres criados; a justiça e a misericórdia de Deus, bem como a imutabilidade de Sua lei, pudessem para sempre ser postas fora de toda a questão.

A rebelião de Satanás deveria ser uma lição para o Universo, durante todas as eras vindouras – perpétuo testemunho da natureza do pecado e de seus terríveis resultados. A atuação do governo de Satanás, seus efeitos tanto sobre os homens como sobre os anjos, mostrariam qual seria o fruto de se pôr de parte a autoridade divina. Testificariam que, ligado à existência do governo de Deus, está o bem-estar de todas as criaturas que Ele fez. Assim, a história desta terrível experiência com a rebelião seria uma salvaguarda perpétua para todos os seres santos, para impedir que fossem enganados quanto à natureza da transgressão, para salvá-los de cometer pecado, e de sofrerem sua punição.

Aquele que governa no Céu é O que vê o fim desde o princípio – o Ser perante o qual os mistérios do passado e do futuro estão igualmente expostos, e que, para além da miséria, trevas e ruína que o pecado acarretou, contempla o cumprimento de Seus propósitos de amor e bênçãos. Se bem que “nuvens e obscuridade estão ao redor dEle, justiça e juízo são a base de Seu trono” (Salmos 97:2). E isto os habitantes do Universo, tanto fiéis como infiéis, compreenderão um dia. “Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os Seus caminhos juízo são; Deus é a verdade, e não há nEle injustiça: justo e reto é.” (Deuteronômio 32:4).

Texto extraído de: WHITE, E. G. Patriarcas e Profetas, sec. I, cap. I, p. 33-43.

Vídeo relacionado: Deus bom, mundo mal, por que?; Cremos no Grande Conflito

a. Uma categoria de anjos. A envergadura de suas assas estende-se sobre o trono de Deus envolvendo diretamente a Sua glória. São também responsáveis pela administração dos cânticos celestiais. (cf Êxodo 25:20-22; II Crônicas 3:10-13; II Crônicas 5:13-14; Ezequiel 28:13-14).


b. Acesse: A Lei de Deus – Adulterada

Extraído de:
Mesmo quando foi expulso do Céu, a Sabedoria infinita não destruiu Satanás. (…) Os habitantes do Céu, e dos mundos, não estando preparados para compreender a natureza ou conseqüência do pecado, não poderiam ter visto então a justiça de Deus na destruição de Satanás.

Houvesse ele sido imediatamente destruído, alguns teriam servido a Deus pelo temor em vez de o fazer pelo amor. A influência do enganador não teria sido completamente destruída, tampouco o espírito de rebelião teria sido totalmente desarraigado. Para o bem de todo o Universo, através dos intérminos séculos, ele deveria desenvolver mais completamente seus princípios, a fim de que suas acusações contra o governo divino pudessem ser vistas sob sua verdadeira luz, por todos os seres criados; a justiça e a misericórdia de Deus, bem como a imutabilidade de Sua lei, pudessem para sempre ser postas fora de toda a questão.

A rebelião de Satanás deveria ser uma lição para o Universo, durante todas as eras vindouras – perpétuo testemunho da natureza do pecado e de seus terríveis resultados. A atuação do governo de Satanás, seus efeitos tanto sobre os homens como sobre os anjos, mostrariam qual seria o fruto de se pôr de parte a autoridade divina. Testificariam que, ligado à existência do governo de Deus, está o bem-estar de todas as criaturas que Ele fez. Assim, a história desta terrível experiência com a rebelião seria uma salvaguarda perpétua para todos os seres santos, para impedir que fossem enganados quanto à natureza da transgressão, para salvá-los de cometer pecado, e de sofrerem sua punição.

Aquele que governa no Céu é O que vê o fim desde o princípio – o Ser perante o qual os mistérios do passado e do futuro estão igualmente expostos, e que, para além da miséria, trevas e ruína que o pecado acarretou, contempla o cumprimento de Seus propósitos de amor e bênçãos. Se bem que “nuvens e obscuridade estão ao redor dEle, justiça e juízo são a base de Seu trono” (Salmos 97:2). E isto os habitantes do Universo, tanto fiéis como infiéis, compreenderão um dia. “Ele é a Rocha, cuja obra é perfeita, porque todos os Seus caminhos juízo são; Deus é a verdade, e não há nEle injustiça: justo e reto é.” (Deuteronômio 32:4).

Texto extraído de: WHITE, E. G. Patriarcas e Profetas, sec. I, cap. I, p. 33-43.

Vídeo relacionado: Deus bom, mundo mal, por que?; Cremos no Grande Conflito

a. Uma categoria de anjos. A envergadura de suas assas estende-se sobre o trono de Deus envolvendo diretamente a Sua glória. São também responsáveis pela administração dos cânticos celestiais. (cf Êxodo 25:20-22; II Crônicas 3:10-13; II Crônicas 5:13-14; Ezequiel 28:13-14).


b. Acesse: A Lei de Deus – Adulterada

Extraído de:
http://setimodia.wordpress.com/2012/06/24/a-origem-do-mal-3/

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

"O PROTESTANTE E O DOMINGO"


“A atual geração de protestantes guarda o domingo em lugar do sábado, porque o recebeu como parte da religião cristã da geração passada, e esta recebeu da geração anterior, e assim por diante; geração após geração (…) deixou esta parte específica da fé e prática católica intocável. (…) Tanto você [protestante] como nós [católicos], na verdade, seguimos a tradição nesta questão; mas nós a seguimos crendo que faz parte da Palavra de Deus e que a Igreja [Católica] tem sido divinamente designada a sua guardiã e intérprete; você a segue, denunciando-a constantemente como uma guia falível e traidora, que freqüentemente ‘tem invalidado o mandamento de Deus’.”1

As diversas igrejas protestantes admitem que não há orientação bíblica para alterar o sábado descrito no quarto mandamento da lei de Deus, mas, incoerentemente, mantêm o domingo em seu lugar argumentando que a ressurreição de Cristo ocorrida no primeiro dia da semana é a “base” para tal substituição. Além desta contradição, são incapazes de demonstrar nas Escrituras algo que sustente esta suposta mudança. No geral, as justificativas apresentadas pelos protestantes para defender a guarda dominical são idênticas àquelas encontradas no Catecismo da Igreja Católica,2 sendo comum, também, o uso de textos patrísticos(a).

Independente destes fatos, segue adiante declarações literárias oficiais de fundadores do protestantismo, de teólogos e comentaristas bíblico protestantes que revelam a precariedade e a inconsequência da observância dominical.

Igreja Anglicana

“O resultado desta consideração é: que o ‘dia do Senhor’ [domingo](b) não sucedeu o lugar do sábado, mas o sábado foi completamente revogado; o ‘dia do Senhor’ é meramente uma instituição eclesiástica. Não foi estabelecido em virtude do quarto mandamento. (…) Fizeram isso sem qualquer conceito ou obrigação primordial. (…) Os cristãos primitivos realizavam toda espécie de trabalho no ‘dia do Senhor’, mesmo em tempos de perseguição, eles foram os mais rigorosos observadores de todos os mandamentos divinos.”3

“Temos, no entanto, a lamentar que, apesar da forte autoridade bíblica em que esta questão repousa, nos últimos anos tem surgido aqueles que atacam a origem divina e a obrigação permanente do sábado. O inimigo das almas é incansável em seus planos contra a felicidade e a salvação dos homens. (…) É impossível ler a Bíblia, começando com suas primeiras revelações, direcionar a análise para o presente, sem ver que a idéia de um sábado permeia todos os propósitos de Deus para o homem.

(…) A razão para a observância do sábado está firmada na criação, não envolve unicamente o judeu, mas atodos os que encontram-se dentro dos mais distantes limites da criação; e por que, então, deveria o judeu ser o primeiro a comemorar um evento tão glorioso e de caráter universal, ocorrido mais de dois mil anos antes de seu tempo? (…) Um coração naturalmente avesso as coisas de Deus (tal qual cada homem possui) ansiosamente aproveitará qualquer argumento que irá servir o seu propósito e, acima de tudo, um argumento para destruir as reivindicações do dia que tem sido dedicado para expressar a comunhão com Deus.”4

Igreja Assembléia de Deus

“Jesus é o Senhor do sábado e Ele (não a tradição) determina o que é ‘legal’ fazer ou não neste dia santo. O sábado foi estabelecido para o nosso benefício, e não como um peso para a humanidade (Mc 2.27). O princípio dominante é que o sábado foi criado para se fazer o bem. Aquilo que funciona como uma resposta às necessidades humanas exalta o princípio do sábado, ao invés de transgredi-lo. Finalmente, até Deus está ativo aos sábados; portanto Jesus tinha o direito de fazer Suas boas obras neste dia santo (Jo 5.17).”5 “O fato de Deus ter abençoado o sétimo dia significa que Ele o separou para uso santo. Este ato é encontrado nos Dez Mandamentos (Êxodo 20:1-17), no qual Deus ordenou a observância do sábado. (…)”6

“E abençoou Deus o Dia Sétimo. Deus abençoou o sétimo dia (i.e., o sábado) e o destinou, tanto como dia sagrado e especial de repouso, como um memorial do término de todas as Suas obras criadas. Deus, posteriormente, fez do sábado um dia de bênção para seu povo fiel (Êx 20.8-11). Reservou-o para ser um dia de descanso, de culto, adoração e comunhão com Ele (Êx 16.27; 31.12-17).”7

“(…) Mas, e se encararmos a Lei como um todo sem emendas? Neste caso, a violação de um dos regulamentos da Lei nos torna ‘transgressores’, da mesma forma que a violação de qualquer outro regulamento. Imagine que nós enchamos um balão e escrevamos cada um dos Dez Mandamentos em uma parte diferente de sua superfície. Por mais que tentemos, é impossível tomar um alfinete e romper somente aquela parte do balão. O balão é um todo. Qualquer que seja a parte que rompamos, estaremos rompendo o todo. Como a Lei é um conjunto sem emendas, violar a Lei em um só ponto faz com que a pessoa torna-se uma transgressora.”8

Igreja Batista

“Havia e há um mandamento para santificar o dia de Descanso, mas esse dia de Descanso não é o domingo. Será dito, no entanto, e com alguma demonstração de triunfo, que o sábado foi transferido do sétimo para o primeiro dia da semana, com todos os seus direitos, privilégios e sanções. (…) Onde o registro dessa mudança pode ser encontrado? Não no Novo Testamento, absolutamente. Não há evidência bíblica de mudança da instituição do descanso do sétimo para o primeiro dia da semana.

(…) Parece inexplicável que Jesus, durante a relação de três anos com Seus discípulos, muitas vezes conversando com eles sobre a questão do sábado, debatendo alguns de seus vários aspectos, livrando-o de falsos esclarecimentos, nunca mencionou qualquer transferência do dia; igualmente, durante quarenta dias de vida após a Sua ressurreição, isso não foi estabelecido. Nem tampouco os inspirados apóstolos, pregando o evangelho, fundando igrejas, aconselhando e instruindo os conversos, discutiram ou abordaram este assunto.

(…) O domingo veio a entrar na história da igreja primitiva como um dia religioso. (…) Mas que pena que ele veio estigmatizado com a marca do paganismo e batizado com o nome do deus sol(c), quando adotado e sancionado pela apostasia papal(d), e transmitido como legado sagrado ao protestantismo!”9

“Percebemos a partir deste ponto de vista, contudo, a importância e o valor do sábado, como ato comemorativo da criação de Deus e, portanto, a personalidade, soberania e transcendência de Deus. O sábado é de obrigação perpétua como memorial estabelecido por Deus à Sua atividade criadora. (…) Estruturado na criação, aplica-se ao homem como homem, em toda parte e época, em seu atual estado de existência.

Nem nosso Senhor nem Seus apóstolos ab-rogaram o sábado do Decálogo. A nova dispensação anula as prescrições mosaicas relativas à maneira de guardar o sábado, mas, paralelamente declara sua observância como de origem divina e necessária a natureza humana. (…) Cristo não cravou na Sua cruz cada mandamento do Decálogo. Jesus não se defende da acusação de transgressor do sábado declarando que o sábado foi abolido, mas estabelece o verdadeiro caráter do sábado em atender uma necessidade humana fundamental (Marcos 2:27).”10

Igreja Congregacional

“O sábado, como tem sido observado, foi originalmente determinado para a comemoração da glória divina manifestada na criação do mundo; e para preparar e aperfeiçoar a santidade no homem. A maneira, na qual devemos comemorar a glória de Deus na obra da Criação, neste dia, é suficientemente nos ensinada pela forma, em que o primeiro sábado foi celebrado. (…) No sábado, afastamos todas as atividades mundanas. Uma pausa solene é feita nas ocupações da vida. Um período feliz de descanso nos é fornecido para obtermos a nossa salvação. Nesse tempo nenhum negócio do mundo é incluído; sem prazeres mundanos indevidos; nenhum pensamento mundano para interferir.”11

“Se os deveres dos cristãos no sábado são reduzidos, seja em número ou intensidade; então seus privilégios religiosos retribuídos são precisamente inferiores aos dos judeus. Os deveres no sábado são todos privilégios de natureza elevada e gloriosa; não podem deixar de serem considerados por cada bom homem. Não falo, aqui, sobre a regulamentação de leis civis dos judeus, estas não têm nada a haver com o tema da presente discussão. Eu falo do sábado, como instituído no sétimo dia, como instituído imediatamente após o término da criação; como ordenou novamente o quarto mandamento do Decálogo, como explicado e compelido, pelos profetas, particularmente por Isaías.”12

“Então, por que observamos o primeiro dia da semana como o descanso cristão? Não há mandamento na Bíblia, exigindo-nos a observar o primeiro dia da semana como o descanso cristão. Se admitirmos o dever de manter o primeiro dia da semana como o descanso cristão, devemos fundamentar a obrigação deste dever, sobre a instituição original como prescrito no quarto mandamento – e temos que admitir que depois da ressurreição de Cristo, uma mudança do dia, do sétimo para o primeiro dia da semana, ocorreu. Mas, não háum mandamento registrado na Bíblia, ordenando essa mudança.”13

“(…) É bastante claro que por mais rígida e dedicadamente possamos passar o domingo, não estamos guardando o sábado. (…) O sábado foi estabelecido por meio de um mandamento específico e divino. Não podemos invocar nenhum mandamento como dever de observar o domingo. (…) Não há uma única frase no Novo Testamento que sugerira que estaremos sujeito a alguma penalidade por violar a suposta santidade do domingo.”14

Igreja Discípulos de Cristo

“‘Porém’, dizem alguns, ‘foi mudado do sétimo para o primeiro dia.’ Onde? Quando? E por quem? Nenhum homem pode dizer. Não, ele [o sábado] nunca mudou, nem poderia mudar. (…) São, unicamente, fábulas antigas para tagarelar sobre a mudança do sétimo para o primeiro dia. Se ele mudou, foi esse personagem imponente que o fez, ele muda os tempos e leis ex officio - eu acho que o nome dele é doutor anticristo.”15

“Em Seus avanços contra o governo perverso e a falsa religião; em Seus planos para acabar com todo o domínio e idolatria pagã; (…) e restaurar a ordem no mundo, o Altíssimo, como as Escrituras comprovam, tem demonstrado muita sabedoria e sensatez ao assegurar a memória do passado, através de monumentos públicos, instituições civis e ordenanças religiosas; assim como Ele revelou onisciência e presciência do futuro através de tipos, símbolos e profecias. Os eventos memoráveis, pelos quais estes monumentos foram erigidos, formam o verdadeiro coração e essência de todas as crenças judaica e cristã, como pode ser visto pelo: (…) 2. O sábado o dia memorial de Seu descanso da criação; 3. A base original da sociedade política, o matrimônio do Éden (…)”16

“Chamar ‘o dia do Senhor’, ‘primeiro dia’ da semana, um dia de Sábado, é totalmente desautorizado pelas Escrituras. Não há nenhuma sanção do Líder da Igreja [Jesus], dos apóstolos ou dos profetas.”17

Igreja Luterana

“Além dessas coisas, há uma controvérsia se os bispos ou pastores têm autoridade de instituir cerimônias na Igreja, elaborar leis a respeito de alimentos, dias santos, títulos, ordenação de ministros, etc. (…) Eles [católicos] referem-se ao dia de sábado, como tendo sido mudado para o dia do Senhor, contrário, ao Decálogo, como afigura-se. Nem sequer existe qualquer exemplo [nas Escrituras] na qual eles determinem ainda a alteração quanto ao dia de sábado. Grande dizem eles, é o poder da Igreja, uma vez que temdispensado um dos Dez Mandamentos.”18

“Contudo, eles erram em ensinar que o domingo ocupou o lugar do sábado do Antigo Testamento e portanto deve ser mantido assim como o sétimo dia que tem sido guardado pelos filhos de Israel. (…) Essas Igrejas erram em seus ensinos, pois a Escritura de modo algum estabelece o primeiro dia da semana em lugar do sábado. Simplesmente não há nenhuma lei no Novo Testamento para isso.”19

“Deus não santificou para Si o céu, a terra, ou qualquer criatura. Mas Deus santificou para Si mesmo o sétimo dia. Isto foi sobretudo designado por Deus, para nos fazer entender, que o ‘sétimo dia’ deve ser especialmente dedicado ao culto divino. (…) O sábado portanto, desde o início do mundo, foi separado para adorar à Deus. Esta prática essencial, em sua pureza, se tivesse continuado sem desvio, teria proclamado a glória e as bênçãos de Deus. Homens teriam falado reunidos, no dia de sábado, sobre a bondade do seu Criador, teriam orado a Ele, teriam trazido a Ele as suas ofertas e etc. Todas estas coisas estão implícitas e representadas na expressão ‘santificar’.

(…) Nem tampouco Adão, se tivesse permanecido no paraíso em sua completa pureza original, teria vivido uma vida de ociosidade. Ele teria ensinado seus filhos no dia de sábado; ele teria em tributo, exaltado a Deus por meio de seus solenes louvores através de proclamação pública; teria impulsionado a si mesmo e a outros a oferecer agradecimentos, pela contemplação das grandiosas e gloriosas obras de Deus.”20

Igreja Metodista

“Não há nenhuma indicação aqui(e) que o Sábado foi abolido, ou que seu objetivo moral foi substituído, pela introdução do cristianismo. Tenho demonstrado em outros lugares que, ‘lembre do dia de Sábado para santificá-lo’, é um mandamento de obrigação perpétua, e nunca pode ser substituído, exceto pelo derradeiro término do tempo. Como ele é um tipo de descanso que permanece para o povo de Deus, uma eterna bem-aventurança, ele deve continuar em pleno vigor até que chegue a eternidade; nenhum tipo jamais cessa até que o antítipo venha.”21

“‘Lembra-te do dia de sábado, para santificá-lo’. Você tem esquecido quem disse estas palavras? Ou você está desafiando-O? Você oferece a Ele o seu pior? Tenha cuidado. Você não é mais forte que Ele. ‘Ai daquele que contende com seu Criador, daquele que não passa de um caco entre os cacos no chão. Ele Se assenta no Seu trono, acima da cúpula da Terra, cujos habitantes são pequenos como gafanhotos.’(f)

‘Seis dias farás toda a obra. Mas o sétimo dia é sábado do Senhor teu Deus.’ Não é teu, mas o dia de Deus. Ele reivindica-o para Si mesmo. Ele sempre o reivindicou para Si próprio, desde o início do mundo. ‘Em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, e ao sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou.’ Ele o santificou; ou seja, Ele o fez sagrado; Ele o reservou para o Seu próprio serviço. Ele determinou que, enquanto o Sol ou a Lua, os céus e a Terra, durarem, os filhos dos homens devem passar este dia em adoração à Ele que ‘deu-lhes fôlego de vida e todas as coisas.’”22

“Sábado. Esta palavra, no idioma hebraico, significa descanso. É uma instituição de ordem divina, e de duplo propósito, ou seja, descanso das atividades seculares e desenvolvimento de serviço santo (Êxodo 20:8-11;Levítico 23:3; Atos 15:21). A época de seu estabelecimento foi ao final da criação (Gênesis 2:3). (…) Que esta instituição ainda está em vigor entre todos os homens é evidente pelo fato de que o quarto mandamento, que o contém, nunca foi revogado. É mais evidente de acordo com o exemplo dos apóstolos e dos primeiros cristãos.”23

“É verdade que não há mandamento autorizando o batismo infantil. Tampouco existe algum que mantenha sagrado o primeiro dia da semana. Muitos acreditam que Cristo mudou o sábado. Mas, a partir de Suas próprias palavras, observamos que Ele não veio com essa finalidade. Aqueles que acreditam que Jesus mudou o sábado se baseiam apenas em hipóteses.”24

Igreja Presbiteriana

“Tem sido frequentemente afirmado que, durante Seu próprio ministério, o nosso Salvador encorajou Seus discípulos a violar o sábado, e, assim, preparou o caminho para a sua abolição. No entanto, esta teoria é tãodestituída de fundamento quanto perigosa aos princípios morais. (…) Jesus nunca transgrediu nem a letra ou o espírito de qualquer mandamento pertencente ao santo descanso; mas a superstição tinha acrescentado à lei escrita uma multidão de minuciosas observâncias; e cada israelita estava em perfeita liberdade para negligenciar qualquer uma ou todas essas regulamentações frívolas.

O Grande Mestre nunca insinuou que o sábado era uma lei cerimonial que findou com a liturgia mosaica. Ele foi instituído quando nossos primeiros pais estavam no paraíso (Gênesis 2:3); e o preceito que ordena a sua lembrança, sendo uma parte do Decálogo (Êxodo 20:1-17), é de obrigação perpétua. Por isso, em vez de considerá-lo como uma simples instituição judaica, Cristo declara que ele ‘foi feito para o homem’ (Marcos 2:27), ou, em outras palavras, que ele foi planejado para o benefício de toda a família humana.

(…) Quando Ele anuncia as calamidades relacionadas com a ruína da cidade santa, Ele instrui Seus seguidores a orar para que a urgência da catástrofe não os despojem do bem-estar da ordenança sagrada de descanso. ‘Rogai‘, disse Ele, ‘que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado’ (Mateus 24:20). E o profeta Isaías(g), ao descrever a congregação dos gentios e a glória da Igreja nos tempos do evangelho, menciona a guarda do sábado como característica dos filhos de Deus.”25

“O sábado é uma parte do Decálogo, os Dez Mandamentos. Isso por si só, sempre resolve a questão da perpetuidade da instituição. (…) Sendo assim, até que seja demonstrado que toda a Lei Moral fora revogada, o sábado permanecerá. (…) O ensinamento de Cristo confirma a perpetuidade do sábado.”26

“A história do sábado, a partir da ressurreição de Cristo até o presente momento, apresenta as seguintes fases: 1. A mudança do dia a ser observado, do último dia da semana para o primeiro. Não há nenhum registro expresso autorizando esta mudança. (…) A primeira fase abrange os três primeiros séculos da era cristã. Durante este tempo, o sábado foi observado com um bom grau de rigor, como um dia de ensino religioso e de culto. (…) 2. Com a crescente corrupção religiosa, entre os séculos terceiro e décimo sexto, o sábado chegou a ser gradualmente associado com os dias dos santos(h), e foi degradado, como atualmente, em países onde o Romanismo prevaleceu. (…) No entanto, onde o evangelho foi pregado em sua pureza, nesse lugar o sábado foi absolutamente observado.”27

Vídeos relacionados: O Sétimo Dia – Programa 08; A Mensagem do Sábado; Cremos no Sábado

a. Acesse: Bíblia versus Patrística

b. Acesse: O “dia do SENHOR”

c. Acesse: A Guarda Dominical e o “deus Sol”

d. Acesse: O Concílio de Laodicéia

e. Discorrendo sobre Colossenses 2:16.

f. Citando Isaías 45:9 cf Isaías 40:22.

g. Em referência a Isaías 56:6-8.

h. O sábado passou a ser destinado, pelos cristãos apostatados, para comemorar (festejar) homens e mulheres que eram considerados santos pela Igreja Católica Apostólica Romana.

1. The Clifton Tracts, 1856, vol. IV, New York: Edward Dunigan & Brother, p. 11-15; (sancionado pelo bispo de Clifton, cardeal Wiseman e, aprovado pelo Rev. John Hughes, arcebispo de Nova Iorque).

2. Catecismo da Igreja Católica Apostólica Romana, parte II, seção I, cap. II, art. I (O Dia do Senhor); Ibidem, parte II, seção II, cap. I, art. 3 (O Terceiro Mandamento).

3. HEBER, R. (1828). The Whole Works of the Right Rev. Jeremy Taylor, D.D., vol. XII, London: Printed by Thomas Davison, book II, chap. II, p. 417, 426.

4. “The Christian Sabbath”. (1836). The Church of England Magazine, vol. I, London: Printed by Robson, Levey, p. 17-19.

5. RICHARDS, L. O. (2008). Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento, 3.ª ed., Rio de Janeiro: CPAD, p. 150b.

6. Bíblia de Estudos Aplicação Pessoal, 2004, ed. CPAD, p. 7; (comentários sobre Gênesis 2:3).

7. Bíblia de Estudo Pentecostal, ed. CPAD, comentários sobre Gênesis 2:3.

8. RICHARDS, L. O. (2008). Ob. cit., p. 514b.

9. Edward T. Hiscox, New York Examiner, Nov. 16, 1893. Quoted in: REINER, E. (2001). The Atonement, Brushton-NY: Teach Services, Inc., p. 170-171.

10. STRONG, A. H. (1907). Systematic Theology, vol. II, Philadelphia: American Baptist Publication Society, chap. IV, sec. I, p. 408-409.

11. DWIGHT, T. (1836). Theology: Explained and Defended in a Series of Sermons, vol. III, New Haven: Published by T. Dwight & Son, ser. CVIII, p. 265, 267.

12. Ibidem, p. 270; (cf. Isaías 56:1-8; Isaías 58:13-14; Isaías 66:22-23).

13. FOWLER, O. (1835). Mode and Subjects of Baptism, Boston: Published by Willian Peirce, p. 93; (publicado a pedido da Igreja Congregacional).

14. DALE, R. W. (1901). The Ten Commandments, New York: Geoge H. Doran Company, p. 100-101.

15. CAMPBELL, A. (1835). The Christian Baptist, vol. I, 2.ª ed., Cincinnati: Published by D. S. Burnet, p. 44b; (seven volumes in one).

16. SCOTT, W. (1859). The Messiahship, Cincinnati: H. S. Bosworth, chap. XXIX, p. 164.

17. CAMPBELL, A.; PENDLETON, W. K. (1863). The Millennial Harbinger, series V, vol. VI, Bethany, VA: Printed and Published by Alexander Campbell, p. 159. Too in: Alexander Campbell, First Day Observance, p. 19; (Quoted in: HULLQUIST, C. G. (2004). Sabbath Diagnosis: A Diagnostic History and Physical Examination of the Biblical Day of Rest, New York: Teach Services, Inc., p. 175).

18. The Augsburg Confession. (1530). Part. II, article XXVIII (Of Ecclesiastical Power). Too in: JACOBS, H. E. (1911). The Book of Concord: The Symbolical Books on the Evangelical Lutheran Church, Philadelphia: The United Lutheran Press, p. 63; SCHAff, P. (1877). The Creeds of Christendom, New York: Harper & Brothers, vol. III, 4.ª ed., p. 63-64.

19. MUELLER, J. T. Sabbath or Sunday, St. Louis, MO: Concordia Publishing House, p. 15-16. Quoted in: ALEXANDER, D. (2011). Hold On, Someone is on the Other Line!, USA: Xlibris Corporation, p. 240; BUCKLEY, J. W. (2007). Prophecy Unveiled: Understanding the Past Predicting the Future, USA: Xulon Press, p. 118.

20. COLE, H. (1858). The Creation: A Commentary on the First Five Chapters of the Book of Genesis by Martin Luther, Edinburgh: T. & T. Clark, p. 110-115; (originalmente publicado em Wittenberg, 1544).

21. CLARKE, A. (1831). The New Testament of our Lord and Saviour Jesus Christ, vol. II, New York: Published by Peter C. Smith, chap. II, p. 539a.

22. EMORY, J. (1856). The Works of the Rev. John Wesley, vol. VI, New York: Published by Carlton & Porter, p. 352-353; (terceira edição americana baseada na última edição londrina, contendo as últimas correções de John Wesley).

23. BINNEY, A. (1840). A Theological Compend: A System of Divinity, New York: Published by Carlton & Porter, p. 105; (Rev. Amos Binney, of the New England Conference).

24. BINNEY, A. (1902). A Theological Compend, p. 180-181. Quoted in: HULLQUIST, C. GARY. Op. cit., p. 178; LAUREN, P. (2011). Returning to God, Pittsburgs-PA: Dorrance Publishing, p. 64.

25. KILLEN, W. D. (1859). The Ancient Church: History, Doctrine, Worship and Constitution, Traced for the First Three Hundred Years, London: James Nisbet & CO., sec. III, chap. I, p. 211-212.

26. BLAKE, T. C. (1880). Theology Condensed, Nashville: Cumberland Presbyterian Pub. House, p. 474-475. Quoted in: FORTSCH, C. R. (2006). Daniel: Understanding the Dreams and Vision, Canada: Transcontinental Saskatoon, p. 365a; PACK, D. C. (2009). Saturday or Sunday: Which is the Sabbath?, USA: iUniverse, p. 12.

27. RICE, N. L., et al. (1863). The Christian Sabbath: History, Authority, Duties, Benefits and Civil Relations, New York: Robert Carter & Brothers, p. 60, 65-66; (“The Origen and History of the Sabbath“, by the Rev. Nathan Lewis Rice).

Extraído de:
http://setimodia.wordpress.com/2012/06/25/o-protestante-e-o-domingo/

"O CONCÍLIO DE LAODICÉIA"


O Concílio de Laodicéia ocorrido em 364 d.C., discutira na ocasião sobre o dia de guarda que o cristianismo deveria seguir. Essa assembléia eclesiástica motivada em parte pela vigência do edito de Constantino(a)estabeleceu no cânon 29: “Os cristãos não devem judaizar e descansar no sábado, mas trabalhar neste dia; porém devem honrar especialmente o dia do Senhor, e, como cristãos, devem se possível, não realizar nenhum trabalho neste dia. Se, entretanto, forem encontrados judaizando sejam excomungados por Cristo.”1 Analisando este cânon verifica-se que:

Em meio a crescente apostasia dentro do cristianismo houve cristãos que não se curvaram as falsas doutrinas e permaneceram leais aos ensinos bíblicos. Eles obedeciam integralmente aos Dez Mandamentos como Cristo lhes ensinara;

A obediência desses cristãos ao quarto mandamento, que apresenta o sábado (sétimo dia da semana) como o “dia do Senhor”(b)  , causou desconforto e promoveu a ira daqueles que decidiram considerar o domingo (primeiro dia da semana) como dia santo;

Esse cânon não objetivava, unicamente, substituir o verdadeiro dia  de repouso instituído por Deus, pois determina também perseguição aqueles que seguissem com a observância sabática no sétimo dia.

Líderes religiosos envolvidos por falsas doutrinas apoiaram-se no decreto do imperador Constantino promulgado em 321 d.C. e, em outras leis dominicais estabelecidas em anos subsequentes, para redigir o cânone 29 do Concílio de Laodicéia e assim impor a substituição do dia de descanso semanal instituído por Deus (Êxodo 20:8-11). Adiante alguns comentários sobre estas questões:

“(…) domingo, diem solis, em conformidade com a expressão popular, era necessário para distinguir o dia na abordagem dos pagãos. Durante as eras iniciais da igreja nunca foi intitulado ‘o sábado’; esta palavra está restrita ao sétimo dia da semana, o Sábado Judaico, que, como já dissemos, continuou a ser observado por vários séculos pelos convertidos ao cristianismo.”2

“Embora quase todas as igrejas em todo o mundo celebrem os sagrados mistérios no sábado de cada semana, os cristãos de Alexandria e de Roma, em vista de alguma antiga tradição, cessaram de fazer isso.”3 “O povo de Constantinopla e de outras cidades, congregam-se tanto no sábado como no dia imediato; costume esse que nunca é observado em Roma.”4

“Os celtas tinham seus próprios concílios e decretavam suas próprias leis, independente de Roma. Os celtas usavam uma Bíblia latina diferente da Vulgata, e guardavam o sábado como dia de repouso, com serviços religiosos especiais no domingo.”5

“É certo que o próprio Cristo, Seus apóstolos e os cristãos primitivos em um considerável espaço de tempo observaram constantemente o sábado do sétimo dia; os evangelistas e São Lucas em Atos sempre referem-se ao dia de sábado, delineando a sua solenidade pelos apóstolos e outros cristãos. (…) O sábado do sétimo dia foi solenizado por Cristo, pelos os apóstolos e pelos cristãos primitivos,até que a assembléia de Laodicéia de certa forma aboliu a sua observância. (…) O Concílio de Laodicéia, 364 d.C., estabeleceu primeiramente a observação do dia do Senhor [domingo], e proibiu a guarda do sábado judaico sob anátema.”6

“Pouco precisa ser dito sobre a mudança do sétimo para o primeiro dia da semana. Os primeiros discípulos conservavam ambos os dias: o Sábado para o descanso, o Domingo para o trabalho. A Igreja Cristã não realizou de forma oficial, mas gradual e quase inconscientemente, a transferência de um dia pelo o outro.”7

“A oposição ao judaísmo introduziu o particular festival do domingo muito cedo, na verdade, no lugar do sábado. (…) A festa dominical como todas as outras festividades, sempre foi uma ordenança unicamente humana, e estava longe das cogitações dos apóstolos estabelecer a este respeito uma ordem divina; longe deles e da primitiva igreja apostólica transferir para o domingo as leis do sábado.”8

“No intervalo entre os dias dos apóstolos e a conversão de Constantino, a comunidade cristã mudou seu aspecto. O bispo de Roma, um personagem desconhecido para os autores do Novo Testamento, nesse intervalo de tempo, finalmente conseguiu a primazia de todos os outros clérigos. Ritos ecerimônias, na qual Paulo nem Pedro nunca ouviram, foram usadas soradeiramente e silenciosamente, e, em seguida, firmadas como instituições divinas.”9

“Da época dos apóstolos até o Concílio de Laodicéia, que ocorreu por volta do ano 364, a sagrada observância do sábado dos judeus persistiu, como pode ser comprovada por vários autores; de fato, apesar do decreto desse concílio em oposição à ela.”10

Fatores como: a infiltração de ensinos pagãos no cristianismo; a criação do obscuro “festival da ressurreição”; o ódio de alguns cristãos pelos judeus; a lei civil decretada pelo edito de Constantino; e, a ânsia da Igreja de Roma em substituir o sábado pelo domingo, resultaram em caos quanto ao dia de descanso que deveria ser seguido no cristianismo. Esse impasse entre a guarda sabática e dominical ocasionou a observância de ambos os dias por muito tempo. É nesse ambiente conturbado que o Concílio de Laodicéia regulamenta o cânon 29.

A guarda do domingo como o “dia do Senhor” não é bíblica, e não era seguida pelos primeiros cristãos da Igreja Primitiva. Se a observância dominical fosse algo definido, fato estabelecido no cristianismo na época de Jesus e de Seus discípulos (como alguns sem base bíblica e histórica alegam) então, por que o Concílio de Laodicéia legislou proibindo o descanso sabático entre os cristãos em suas sessões no século IV? Para que invocar o sábado se ele fora cancelado na cruz e ninguém o observava? É inegável que o conclave traçou diretrizes a respeito do dia de guarda objetivando substituir o sétimo dia (descrito no quarto mandamento) pelo primeiro dia da semana.

Abrangência do Concílio de Laodicéia

Existe no meio protestante, àqueles que se esforçam para minimizar a autoridade do Concílio de Laodicéia argumentando: que ele se realizara no Oriente e não em Roma; que a cidade de Laodicéia era grega e não romana; que a Igreja de Roma não estava presente; que era concílio local, sem amplitude; entre outros pretextos esdrúxulos e inúteis. Na realidade essas pessoas não menosprezam somente os registros e as implicações do Concílio de Laodicéia, mas, qualquer fato histórico que prove a origem pagã da observância dominical.

A ocorrência de um concílio fora de Roma nada significa contra a sua autoridade porque, os primeiros concílios locais e gerais que estabeleceram as doutrinas e diretrizes eclesiásticas da Igreja Romana foram realizados na Turquia (Ásia Menor), tais como os: Concílios de Nicéia; Concílios de Constantinopla; Concílio de Éfeso e o Concílio de Calcedônia. Os demais ocorreram na Europa a partir do Concílio de Latrão (1123 d.C.); e, na cidade de Roma, somente os Concílios de Trento e do Vaticano. O fato da maioria dessas assembléias terem sido realizadas fora de Roma não enfraquece a autoridade de suas decisões para os fins que foram estabelecidas.

A afirmação de que o Concílio de Laodicéia foi local sem amplitude revela ignorância dos fatos, pois, todas as decisões tomadas em seus sessenta cânones, foram totalmente ratificadas e oficializadas pelo cânon 01 do Concílio (Geral) de Calcedônia,11 demonstrando a autoridade e a universalidade da assembléia laodiceana: “Os cânones até esta data publicados pelos santos pais em todos os sínodos terão validade.”12

“Além de reforçar os cânones dos concílios anteriores da igreja, bem como as declarações de algunssínodos locais, o concílio [de Calcedônia] emitiu decretos disciplinares destinados a monges e clérigos e, declarou patriarcadas(c) Jerusalém e Constantinopla. O efeito global foi para dar à igreja um caráter institucional mais estável.”13 “O concílio [de Laodicéia] foi composto por 32 bispos das províncias da Ásia e os resultados das decisões produziram 60 cânones que foram pronunciados como credos obrigatórios aos cristãos em todo o mundo pelo Concílio de Calcedônia em 451.”14

Pode-se destacar ainda que, o Concílio de Laodicéia teve legitimidade em estabelecer quais livros pertenceriam a Bíblia, eliminando do seu catálogo os livros apócrifos.15 Na ocasião o livro do Apocalipse não foi aceito, porém, fora incluído posteriormente no Concílio de Cartago (ocorrido na África) em 397 d.C. Essas medidas de aplicação universal também foram confirmadas pelo Concílio Geral de Calcedônia.

Através desses dois concílios locais (Laodicéia e Cartago) realizados fora do território de Roma e com pequena representatividade da Igreja Romana é que, os protestantes (especialmente os que se contorcem para desmerecer as implicações e a universalidade do Concílio de Laodicéia), possuem hoje suas Bíblias em ordem com todos os livros inspirados e, excluídos os deuterocanônicos (apócrifos). Lembrando que, na contra-reforma, a Igreja de Roma voltou a utilizar os apócrifos com o intuito de combater o protestantismo.

Existe ainda um fato interessante vinculado a esses acontecimentos que ilustra a relação entre os poderes político e religioso da época e que, se repetirá nos eventos finais que antecedem a segunda vinda de Cristo(d): o imperador Justiniano I, após tomar conhecimento das ratificação de decisões eclesiásticas referentes aos cânones adotados pelos primeiros quatro concílios gerais, incorpora-os em sua Novela 131 (Nouellae 131), que era as normas constitucionais do império ou o código imperial com força de lei civil. E a infração contra essas normas era considerada crime contra o Estado.

Considerações Finais

É inevitável e irrefutável a conclusão de que a igreja apostatada foi a responsável pela mudança da observância sabática pela dominical. Essa alteração ocorreu gradualmente através de leis civis e eclesiásticas que surgiram sob a tutela da Igreja Romana(e) e, como o livro de Daniel descreve, essa instituição religiosa cuidou em “mudar os tempos e a lei” (Daniel 7:25). E o fez com maestria, embora a longo prazo (cf Marcos 7:7-9).

Os catecismos romanos estão repletos de citações que reconhecem a autoridade da Igreja de Roma como responsável pela mudança do dia de repouso. O fato essencial é que tal mudança não tem aprovação das Escrituras Sagradas. Ao contrário, tem fundamento unicamente na tradição enraizada no paganismo. E não constitui regra de fé e prática. Deve, pois, ser rejeitada.

Texto baseado em: CHRISTIANINNI, A. B. (1981). Subtilezas do Erro, 2.ª ed., cap. 38, p. 241-246.

Vídeos relacionados: O Sétimo Dia – Programa 04; O Sétimo Dia – Programa 05

a. Acesse: A Guarda Dominical e o “deus Sol”

b. Acesse: “O dia do Senhor”

c. Sob jurisdição; subordinadas a Igreja Romana.

d. Acesse: Babilônia Denunciada – II

e. Acesse: Do Sábado para o Domingo

1. HEFELE, C. J. (1876). A History of the Councils of the Church: From the Original Documents, vol. II, Edinburg: T. & T. Clark, book VI, sec. 93, p. 316.

2. COLEMAN, L. (1852). Ancient Christianity, Philadelphia: Lippincott, Grambo & CO., chap. XXVI, sec. II, p. 529; (Lyman Coleman foi escritor, professor de idiomas (latim e grego) e pastor da Igreja Congregacional).

3. SOCRATES. Ecclesiastical History, book V, chap. XXII; (obra do historiador grego e cristão Sócrates, o Eclesiástico. Ela é composta por sete livros e discorre sobre os acontecimentos da Igreja de Roma entre 305-439 d.C.; abrangendo fatos políticos e eclesiásticos, tanto internos como externos). Too in: SCHAFF, P.Nicene and Post-Nicene Fathers: Socrates and Sozomenus Ecclesiastical Histories, series II, vol. II, p. 334.

4. SOZOMEN. Ecclesiastical History, book VII, chap. XIX; (esta obra foi elaborada pelo Salminius Hermias Sozomenus, Sozomen, e descreve a história da igreja baseada nas obras literárias de Sócrates, o Eclesiástico e de Eusebius, bispo de Cesarea). Too in: SCAFF, P. ob. cit., p. 874.

5. FLICK, A. C. (1964). The Rise of the Mediaeval Church and its Influence on the Civilisation of Western Europe from the First to the Thirteenth Century, New York: Ayer Publishing, chap. XII, p. 237. Too in: BELLESHEIM, A. (1887). History of the Catholic Church in Scotland, vol. I, p. 86.

6. PRYNNE, W. (1633). Dissertation on The Lord’s Day, p. 33, 34, 44; (William Prynne foi advogado, escritor e membro da Igreja Presbiteriana). Too in: ANDREWS, J. N. (1862). History of the Sabbath and First Day of the Week, p. 265; UTTER, G. B. (1913). The Sabbath Recorder, vol. 74, American Sabbath Tract Society, p. 616a.

7. FARRAR, F. W. (1892). The Voice from Sinai: The Eternal Bases of the Moral Law, New York: Thomas Whittaker, p. 152; (Frederic William Farrar foi escritor e filósofo inglês; membro da Igreja Anglicana, fez parte do corpo eclesiástico da Abadia de Westminster e em 1883 foi nomeado arquidiácono).

8. NEANDER, A. (1843). The History of the Christian Religion and Church: During the Three First Centuries, Philadelphia: James M. Campbell & CO., p. 186a.

9. KILLEN, W. D. (1859). The Ancient Church, London: James Nisbet & CO., p. vi (Preface); (foi professor de História Eclasiástica e diretor da Faculdade Teológica Presbiteriana da Irlanda).

10. LEY, J. (1641). Sunday, a Sabbath: Preparative Discourse for Discussion of Sabbatary Doubts, London: Printed by R. Young for George Lathum, p. 163; (foi clérigo da Assembléia de Westminster, presidente do “Sion College” e reitor das universidades de Ashfield e Astbury).

11. Laodicea, Synod of. (1911). Encyclopædia Britannica, vol. XVI, England: Cambridge University Press, p. 189b.

12. HEFELE, C., J. (1883). A History of the Councils of the Church: From the Original Documents, vol. III, Edinburg: T. & T. Clark, book XI, sec. 200, p. 385.

13. Chalcedon, Council of. (2010). Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.

14. Laodicea, Council or Synod of. (1919). The Encyclopedia Americana, New York, Albany: J. B. Lyon Company, vol. XVI, p. 739b. Too in: Laodicea, Synod of. (1911). Encyclopædia Britannica, vol. XVI, England: Cambridge University Press, p. 189b.

15. PEREIRA, C. E. (1949). O Problema Religioso na América Latina: Estudo Dogmático Histórico, 2.ª ed., São Paulo, p. 78. Quoted in: CHRISTIANINNI, A. B. (1981). Subtilezas do Erro, 2.ª ed., p. 244.

Extraído de:
http://setimodia.wordpress.com/2012/06/26/o-concilio-de-laodiceia-2/

"A GUARDA DOMINICAL E O "deus SOL"


“Que todos os juízes, e todos os habitantes da cidade, e todos os mercadores e artífices descansem no venerável dia do Sol. Não obstante, atentem os lavradores com plena liberdade ao cultivo dos campos; visto acontecer a miúdo que nenhum outro dia é tão adequado à semeadura do grão ou ao plantio da vinha; daí o não se dever deixar passar o tempo favorável concedido pelo céu.”1

Esse decreto foi promulgado em 07 de março de 321 pelo imperador Constantino (Flavius Valerius Constantinus) e visava, dentre outros motivos, tornar o dia dedicado ao “deus Sol Invictus” oficial para os cultos pagão e cristão. A veneração à essa divindade pagã tem forte ligação com o Mitraísmo, que era a religião predominante no alto império. Sobre o edito de Constantino, comenta-se:

“O imperador Constantino, um converso ao cristianismo, introduziu a primeira legislação civil a respeito do domingo, em 321, quando decretou que todo o trabalho deveria cessar no dia do Sol; exceto os agricultores que poderiam trabalhar se fosse necessário. Esta lei, que visava dar tempo para o culto, foi acompanhada por mais restrições nas atividades dominicais nos séculos posteriores.”2

“Séculos da era cristã se passaram antes que o domingo fosse observado pela Igreja Cristã como o sábado. A História não nos fornece uma única prova ou indicação de que fosse observado antes do edito de Constantino em 321 d.C.”3

“Todavia, qualquer que tenha sido a opinião e a prática destes primeiros cristãos em relação à cessação do trabalho no domingo, sem dúvida, a primeira lei, seja eclesiástica ou civil, na qual a observância sabática daquele dia se sabe ter sido ordenada, é o edito de Constantino, 321 d.C.”4

“Constantino tinha governado na Gália e na Grã-Bretanha, onde ele melhorou as condições para os cristãos. E quando chegou ao poder em 313 d.C., ele uniu-se a Maxêncio para comemorar o edito de Milão pelo qual os direitos civis foram concedidos aos cristãos, as suas propriedades restauradas e, a liberdade religiosa universal foi garantida a todos. Em 321 d.C., Constantino tendo se tornado imperador único, emitiu seu famoso edito proibindo determinados trabalhos e o comércio aos Domingo. (…) Sessenta e seis anos depois, 387 d.C., em outro decreto romano, o Domingo é chamado de ‘o dia do Senhor’(a).”5

Constantino era mitraísta, seguidor do deus Sol e, segundo os relatos históricos ele foi o primeiro imperador a se converter ao cristianismo, mas, por motivos políticos e religiosos não abandou de forma definitiva suas antigas crenças pois era grande a influência que ele, como imperador, exercia sobre os seus súditos pagãos. Esse decreto-lei foi incluído no Direito Civil Romano e direcionava-se a todos do império. Na esfera civil, Constantino proporcionou o primeiro meio legislativo para que o domingo fosse seguido pelo cristianismo apostatado e disseminado ao redor do mundo como o substituto do sábado do Senhor.

Paralelamente às mudanças que ocorriam no paganismo dentro do Império Romano, o cristianismo iniciava sua deplorável jornada rumo a apostasia se desviando do genuíno evangelho de Cristo; e os apóstolos Paulo e Pedro advertiram quanto a isso (II Tessalonicenses 2:7-8; II Pedro 2:1-3). Com a morte dos primeiros discípulos que pregavam integralmente e unicamente o que Cristo lhes ensinara, as gerações posteriores de cristãos foram gradativamente abandonando a “sã doutrina” e inevitavelmente sucumbiram aos falsos ensinos (II Timóteo 4:3-4; II João 1:8-9). Uma das consequências dessa atitude foi a mudança na lei de Deus(b), onde o segundo e quarto mandamento foram anulados (Daniel 7:25 cf I Timóteo 1:3-11).

Alguns cristãos em pleno declínio espiritual iniciavam a estranha comemoração do “festival da ressurreição” nas manhãs de domingo, retornando em seguida ao seus afazeres. Outros, motivados pelo ódio, começaram a transgredir o quarto mandamento alegando o desvencilhar de qualquer relação com os judeus, e se baseavam no extremismo que os fariseus tinham em relação ao sábado. O bispo Eusébio sobre isso revela:

“Por sorte não temos nada em comum com a multidão de detestáveis judeus, por que recebemos de nosso Salvador, uma dia de guarda diferente.”6 “Todas as coisas que era dever fazer no sábado, estas nós as transferimos para o dia do Senhor, como o mais apropriado para isso, este [domingo] é o principal na semana, é mais honroso que o sábado judaico.”7

Tertuliano, patrístico do século III, discorrendo sobre a “festividade da ressurreição” relata como os cristãos que abandonaram as Escrituras Sagradas eram confundidos com os pagãos:

“Outros (…) supõem que o sol é o deus dos cristãos, porque é um fato bem conhecido que rezamos para o leste, ou porque fazemos do domingo um dia de festa.”8 “Porém, muitos de vocês, igualmente, às vezes sob o pretexto de adorar os corpos celestes, movem seus lábios na direção ao nascer do sol. Da mesma forma, se nós dedicarmos o dia do Sol com alegria, a partir de uma razão muito diferente do culto ao Sol, teremos alguma semelhança com aqueles que cultuam no dia de Saturno (…)”9

Outra alegação apresentada para alterar o dia de descanso bíblico era que, a observância dominical imposta por Constantino seria uma boa oportunidade para atrair os pagãos ao cristianismo. Entretanto, a História demonstra que ocorreu o inverso, a desobediência a Deus proporcionou a infiltração do paganismo no cristianismo. O abandono gradativo das Escrituras por esses cristãos conduziram as gerações posteriores da igreja a adotar o domingo como dia de guarda. Assim, cristianismo degenerado e paganismo convergiram para um mesmo dia de descanso e adoração.

Constantino passou a lidar com as dificuldades em conciliar esses seguimentos religiosos e, cada decisão era instruída cuidadosamente pelos seus ministros para evitar conflitos. Em seus decretos ele utilizava de forma equilibrada um linguajar adaptado que conciliava os princípios cristão e pagão, como por exemplo: chamar de “dia do Sol” o primeiro dia da semana (domingo) que os pagãos chamavam de “dia de Mitra” e “dia do deus Sol Invicto”. Ele empregou deste modo uma expressão que não ofendia as duas classes.10Adiante algumas declarações sobre estes fatos:

“Quando a Igreja tornou-se um departamento do Estado pelos imperadores cristãos de Roma, a observância do domingo foi imposta pela lei civil. Quando o Império Romano findou, o cargo depontifex maximus, uma vez exercido pelo imperador de Roma foi reivindicado pelo bispo de Roma, e a observância do domingo foi imposta por lei eclesiástica, assim como a lei civil.”11

“Os cristãos trocaram o sábado pelo domingo. Constantino, em 321, determinou a observância rigorosa do descanso dominical, exceto para os trabalhos agrícolas. (…) Em 425 proibiram-se as representações teatrais e no século VIII aplicaram-se ao domingo todas as proibições do sábado judaico.”12

“O imperador Constantino, antes de sua conversão, reverenciava todos os deuses (pagãos) como tendo poderes misteriosos, especialmente Apolo, o deus do Sol, ao qual, no ano 308, ele conferiu dádivas riquíssimas; quando se tornou monoteísta, o deus a qual adorava era – segundo nos informaUhlhorn - o ‘Sol inconquistável’ e não o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Na verdade quando ele impôs a observância do dia do Senhor (domingo) não o fez sob o nome de sabbatum ou dies Domini, mas sob o título antigo, astrológico e pagão de dies Solis, de modo que a lei era aplicável tanto aos adoradores de Apolo e Mitra como aos cristãos.”13

“(…) A conservação do antigo nome pagão de ‘dies Solis‘ ou ‘Sunday’, para a festa semanal cristã, é, em grande parte, devida à união dos sentimentos pagão e cristão; assim o primeiro dia da semana foi recomendado por Constantino aos seus súditos, tanto pagãos como cristãos, como o ‘venerável dia do Sol’. Seu decreto, que regulamenta esta observância, tem sido com justiça chamado de ‘uma nova era da história do dia do Senhor’. Foi o seu modo de harmonizar as religiões discordantes do império,unindo-as sob uma constituição comum.”14

“(…) o patriotismo de boa vontade uniu-se à conveniência de fazer desse dia [domingo], de uma vez, o dia do Senhor deles e seu dia de repouso. (…) Se a autoridade da igreja deve ser passada por alto pelos protestantes, não vem ao caso; porque a oportunidade e a conveniência de ambos os lados constituem seguramente um argumento bastante forte para uma mudança.”15

“Foi uma conversão política, e como tal foi aceita; Constantino foi pagão até próximo de sua morte. E quanto ao seu arrependimento final, abstenho-me de julgar.”16 “Ele impôs a todos os súditos do império romano a observância do ‘dia do Senhor’ como um dia de repouso (…) que fosse honrado o dia que se segue ao sábado.”17

“Para entender plenamente as provisões desta legislação, a atitude peculiar de Constantino deve-se ser levada em consideração. Ele não se achava livre de todo o vestígio da superstição pagã. É provável que antes de sua conversão ele tenha devotado culto especialmente a Apolo, o deus-Sol.(c)(…) O problema diante dele era legislar em favor da nova fé de modo a não parecer totalmente incoerente com suas práticas antigas, e não entrar em conflito com o preconceito de seus súditos pagãos. Estes fatos explicam as particularidades deste decreto. Ele denomina o dia santo, não de ‘dia do Senhor’, mas de ‘dia do Sol’, a designação pagã, e assim o identifica com o seu antigo culto a Apolo.”18

“Os gentios eram um povo idólatra que adorava o Sol, e o domingo era o seu dia mais sagrado. Ora, a fim de conquistá-los nessa nova área, senão parecia natural, ao menos fazia-se necessário tornar o domingo o dia de repouso da igreja. (…) Naquele tempo tornou-se essencial para a igreja adotar o dia dos gentios ou mudá-lo. Mudar o dia dos gentios teria sido uma ofensa e pedra de tropeço para eles. A igreja podia naturalmente ganhá-los melhor, observando o dia deles. (…) Não havia necessidade em causar uma desnecessária ofensa desonrando o dia deles.”19

Considerações Finais

Constantino foi orientado a promulgar o edito de tal forma que atendesse as exigência políticas e religiosas dos pagãos e cristãos da época. Após o fim do Império Romano, uma de suas instituições, a Igreja de Roma (em avançado estágio de apostasia), permaneceu atuante, ganhou mais autonomia e autoridade. E, valendo-se desse edito consolidou em seus concílios, como o de Laodicéia(d), a oficialização da guarda dominical dentro do cristianismo.

“No século III, o Império Romano se viu dilacerado pela guerra civil, devastado pela peste, a doença, e governado por uma vertiginosa sucessão de imperadores, todos apoiados num exército cada vez mais esgotado por terríveis inimigos externos. Na fermentação das religiões orientais e das novas filosofias, esfumaram-se as antigas certezas: para muitos, foi um período de ansiedade aguda. Para a Igreja(e), ao contrário – e até certo ponto em consequência de tal situação – a era foi de crescimento e consolidação.”20

“A conversão de Constantino lançou os bispos de Roma no âmago do establishment romano. Já poderosos e influentes, eles se tornaram celebridades comparáveis aos mais prestigiados senadores da cidade. Era de se esperar que os bispos de todo mundo romano assumissem, agora, o papel de juízes, governadores, enfim, de grandes servidores do Estado.”21

Vídeo relacionado: O Sétimo Dia – Programa 04

a. Acesse: O “dia do SENHOR”

b. Acesse: A Lei de Deus – Adulterada

c. Gieseler’s “Ecclesiastical History“. As moedas de Constantino tinham impressas simultaneamente a imagem de Apolo e o nome de Cristo.

d. Acesse: O Concílio de Laodicéia

e. Igreja de Roma.

1. Codex Justinianus - Corpus Júris Civilis, lib. 3, tit. §12 (3).

2. Sunday. (2010). Encyclopædia Britannica. Chicago: Encyclopædia Britannica.

3. DOMVILLE, W. (1849). The Sabbath: An examination of the six texts commonly adduced from the New Testament in proof of a Christian Sabbath, Londom: Chapman and Hall, chap. VIII, p. 291.

4. Sabbath. (1873). Chambers’s Encyclopædia, vol. VIII, Philadelphia: J. B. Lippincott & Co., p. 401a.

5. The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, vol. XI, p. 147b; (Art.: Sunday, sec. 3).

6. Eusebius, Life of Constantine, book III, chap. XVIII.

7. Eusebius’s Commentary on the Psalms (Psalm 92: A Psalm or Song for the Sabbath-day). Too in: Migne’s Patrologia Graeca, vol. XXIII, col. 1171-1172.

8. Tertullian, Apologetic: Ad Nationes, book I, chap. XIII.

9. Tertullian, Apologetic: Apology, chap. XVI.

10. GIBBON, E. (1776). The History of the Decline and Fall of the Roman Empire, vol. III, chap. XX, §§ 6-9.

11. Sunday. (1920). The Encyclopedia Americana Corporation, New York: Albany, p. 31a.

12. Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, verbete: “Domingo“. Quoted in: CHRISTIANINI, A. B. (1981). Subtilezas do Erro, 2.ª ed., cap. 37, p. 237.

13. Talbot Wilson Chambers, The Old Testament Student, Published: The University of Chicago Press, (January, 1886), p.193-194.

14. STANLEY, A. P. (1869). Lectures on the History on the Eastern Church, 4.ª ed., London: John Murray, p. 193.

15. North British Review, vol. 18, p. 409. Quoted in: CHRISTIANINI, A. B. op. cit. p. 240.

16. Tertullian, Against Marcion: Elucidation II, book IV.

17. Eusebius, Life of Constantine, book IV, chap. XVIII.

18. ELLIOT, G. (1884). The Abiding Sabbath: An Argument for the Perpetual Obligation of the Lord’s Day, American Tract Society, chap. V, p. 228-229.

19. FREDERICK, WM. (1900). Three Prophetic Days: Sunday The Christian’s Sabbath, p. 169-170.

20. DUFFY, EAMON. (1998). Santos e Pecadores: História dos Papas, São Paulo: Cosac & Naify, p. 16.

21. Ibidem, p. 29.

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Extraído de:
http://setimodia.wordpress.com/2012/06/26/a-guarda-dominical-e-o-deus-sol/

A DIABÓLICA DOUTRINA DO "INFERNO ETERNO" - 2ª PARTE



Entendendo o termo “para sempre”

“As palavras que se traduzem por “eterno” e “todo o sempre” não significam necessariamente que nunca terão fim. No Novo Testamento, vem do grego aion, ou do adjetivo aionios. É impossível forçar este radicas grego significar sempre um período que não tem fim.
“A palavra aionios, traduzida como “eterno”, “para sempre”, significa literalmente ‘perdurando por um século’”. – “Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia”, vol. V, pág. 512.
“Comentando o texto de Filemom 15, o erudito evangélico H. G. Moule afirmou:
O adjetivo aionios (eterno, para sempre) tende a marcar a duração enquanto a natureza da matéria o permite. E, no uso geral, tem íntima relação com as coisas espirituais. ‘Para sempre’ nesse verso significa permanência de restauração tanto natural como espiritual. Ligado, porém, a Deus, [o termo] significa eterno, para sempre. Também ligado à vida que provém de Deus, significa uma vida de duração sem fim.” - Arnaldo B. Christianini. “Sutilizas do erro”. 2a Edição, pág. 270.
“No grego, a duração de aionios deve sempre se determinar em relação com a natureza da pessoa ou coisa a qual se aplica. Por exemplo, no caso de Tibério César, o adjetivo aionios descreve um período de 23 anos, desde sua ascensão ao trono até sua morte”. – “Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia”, vol. V, pág. 513.
Percebeu? Na Bíblia, o termo “para sempre” pode significar “um tempo sim fim” ou “um tempo específico”. Depende da natureza do objeto (Pessoa) que está ligado à palavra. Se for Deus, o termo “eterno” é eterno mesmo. Se estiver ligado a um ser humano mortal, que não comerá da árvore da vida, significa um tempo de longa ou curta duração (dependendo do grau de castigo que mereça). JAMAIS o termo dá a ideia de que um pecador pode sobreviver eternamente num castigo sem fim.
É importante entendermos a expressão na língua original bíblica e não como é explicada em nossa língua portuguesa (que é de outra cultura, a ocidental).
Uma perversão do caráter de Deus
No início do artigo expliquei que a justiça e amor eternos de Deus estão de mãos dadas. Creio que isso ficou claro de modo que podemos entender que o juízo de Deus é uma manifestação do amor dEle pelas criaturas e pela Verdade.
Uma das atividades do diabo na história é “desvirtuar” o caráter amoroso da Divindade. Nos dias do povo de Israel satanás arrumava meios de apresentar a Deus como carrasco. Os judeus, nos dias de Cristo, não escaparam dessa artimanha do inimigo (Jesus veio também para revelar o caráter do Pai, que era mal compreendido – ver João 14:9, 10 e João 9:1, 2); hoje, os cristãos se encontram mergulhados numa “doutrina” que mostra um Deus que, para satisfazer Sua justiça, precisa de maneira tirana atormentar criaturas que pecaram por alguns anos na mesma proporção que o diabo, o pai do pecado.
Ellen White escreveu de forma inspirada:
“Depois da queda, Satanás ordenou a seus anjos que fizessem um esforço especial a fim de inculcar a crença da imortalidade inerente do homem; e, tendo induzido o povo a receber este erro, deveriam levá-lo a concluir que o pecador viveria em estado de eterna miséria. Agora o príncipe das trevas, operando por meio de seus agentes, representa a Deus como um tirano vingativo, declarando que Ele mergulha no inferno todos os que não Lhe agradam, e faz com que sempre sintam a Sua ira …” – “A fé pela qual eu vivo” (Meditação Matinal de 1959), pág. 208. CD ROM “Obras de Ellen G. White” – Casa Publicadora Brasileira.
Realmente, a ideia da punição eterna a uma criatura nasceu na mente de satanás.
White continua:
“Quão repugnante a todo sentimento de amor e misericórdia, e mesmo ao nosso senso de justiça, é a doutrina de que os ímpios mortos são atormentados com fogo e enxofre num inferno eternamente a arder; que pelos pecados de uma breve vida terrestre sofrerão tortura enquanto Deus existir! Contudo esta doutrina tem sido largamente ensinada, e ainda se acha incorporada em muitos credos da cristandade.” – “O Grande Conflito”, pág. 535.
Se você que é pai e mãe não faria isso a um filho, imagine Deus! (Isaías 49:15)
“Sobre o erro fundamental da imortalidade inerente, repousa a doutrina da consciência na morte, doutrina que, semelhantemente à do tormento eterno, se opõe aos ensinos das Escrituras, aos ditames da razão, e a nossos sentimentos de humanidade. Segundo a crença popular, os remidos no Céu estão a par de tudo que ocorre na Terra, e especialmente da vida dos amigos que deixaram após si. Mas como poderia ser fonte de felicidade para os mortos o saberem das dificuldades dos vivos, testemunhar os pecados cometidos por seus próprios amados, e vê-los suportar todas as tristezas, desapontamentos e angústias da vida? Quanto da bem-aventurança celeste seria fruída pelos que estivessem contemplando seus amigos na Terra? E quão revoltante não é a crença de que, logo que o fôlego deixa o corpo, a alma do impenitente é entregue às chamas do inferno! Em quão profundas angústias deverão mergulhar os que vêem seus amigos passarem à sepultura sem se acharem preparados, para entrar numa eternidade de miséria e pecado! Muitos têm sido arrastados à insanidade por este inquietante pensamento.” – Ibidem, pág. 545.
A doutrina do “tormento eterno” faz mal até para a saúde:
“Satanás é o causador da doença; e o médico está batalhando contra sua obra e poder. A enfermidade da mente reina por toda parte, e noventa por cento das doenças que atacam o ser humano têm aí seu fundamento. Talvez algum vivo distúrbio doméstico esteja, como gangrena, roendo até à própria alma, e enfraquecendo as forças vitais. O remorso pelo pecado aflige por vezes a constituição, e desequilibra a mente. Há, também, doutrinas errôneas, como a de um inferno eternamente a arder e o tormento perpétuo dos ímpios, as quais por darem uma visão exagerada e distorcida do caráter de Deus, têm produzido os mesmos resultados sobre espíritos sensíveis. Os infiéis têm aproveitado ao máximo esses casos infelizes, atribuindo a loucura à religião; isto, porém, é grosseira difamação, a qual deverão enfrentar finalmente. A religião de Cristo, bem longe de causar loucura, é um de seus mais eficazes remédios.” – Conselhos Sobre Saúde, pág. 324.
Conclusão
Longe de dizer que os maus serão aniquilados instantaneamente (se o fossem, não receberiam um castigo merecido – não acha?) ou que sofrerão pela eternidade, a Bíblia ensina que:
1) Cada pessoa será punida proporcionalmente, segundo as obras (Apocalipse 22:12). Uns serão mais castigados. Outros, menos (Lucas 12:47, 48);
2) Depois do castigo, a pessoa será finalmente aniquilada (Malaquias 4:1-3).
Como sempre, a Palavra de Deus é equilibrada em tudo o que ensina!
Estude esse assunto com oração. Avalie os textos que citei e solicite ao programa “Na Mira da Verdade” (namiradaverdade@novotempo.org.br) o estudo completo sobre o tema. Você verá que o Deus da justiça (Gênesis 18:25) também é amor (1 João 4:8, 16) e que jamais Ele poderia secar as lágrimas de nosso rosto se soubéssemos que em algum lugar se encontra em tormentos queridos que tanto amamos. Apocalipse 21:4 não poderia se cumprir.
Um abraço carinhoso,
Leandro Quadros.
“Porque não tenho prazer na morte de ninguém [e muito menos no tormento!], diz o SENHOR Deus. Portanto, convertei-vos e vivei.” Ezequiel 18:32.

Extraído de:
http://novotempo.com/namiradaverdade/a-diabolica-doutrina-do-“inferno-eterno”-parte-2/

"A DIABÓLICA DOUTRINA DO "INFERNO ETERNO" - 1ª PARTE



Não se assuste com o título do presente artigo, mas, leia o material antes de julgá-lo. Gostaria de repartir com você a posição bíblica (que é bem equilibrada) sobre o castigo dos maus, de maneira que qualquer mente racional/espiritual possa crer naquilo que realmente é a Verdade.
Algumas informações importantes antes do estudo de um assunto tão “melindroso”:
1) A palavra “inferno” que aparece em nossas Bíblias não existe no original grego ou hebraico (e aramaico) – línguas originais. Esse termo é “latim” (significa “lugar inferior”) e, sendo que a Bíblia não foi escrita originalmente em latim, não deveria ter sido adicionada por alguns tradutores (em outras versões não existe a palavra “inferno”, mas, se preserva as originais: hades, tártaros, sheol, Geena).
2) Morte é morte mesmo. Enquanto não aceitar que a ÚNICA esperança para o cristão que hoje descansa é a RESSURREIÇÃO (1 Tessalonicenses 4:18), deixar de acreditar num “tormento eterno” será impossível. É importante que estude a doutrina bíblica sobre o estado do ser humano na morte (Gênesis 2:7, 3:19; Eclesiastes 3:19-21; 9:5, 6 3 10; Salmo 13:3; Daniel 12:2; Lucas 14:14; 1 Tessalonicenses 4:13-18) e compreenda que os mortos voltarão a ter consciência somente quando Jesus voltar (Lucas 14:14), transformá-los e ressuscitá-los (1 Coríntios 15:51-55). Por isso, não estão desfrutando de alguma recompensa (Salmo 115:17) ou punição (2 Pedro 2:4 afirma que até mesmo os demônios estão reservados para um juízo futuro).
3) A doutrina de um “inferno eterno” veio “sob encomenda” da igreja medieval, que usava a pressão psicológica para conseguir indulgências, obediência e apoio para a inquisição (matar os “hereges”). Antes, os gregos dividiam o “hades” em duas partes: uma onde ficavam as “almas” dos bons e outra em que ficavam as “almas” dos maus. Perceba que a origem do ensino é pagã e medieval.
4) Quando Cristo usa em Marcos 9:43-48 o termo “inferno”, no original é “Geena” e se refere não a um inferno existente, mas, ao lago de fogo que EXISTIRÁ depois do milênio (Apocalipse 20).
5) A justiça eterna de Deus não exige uma eternidade de sofrimento, como afirmam alguns teólogos preocupados mais em filosofar do que em estudar a Bíblia. O amor de Deus e a justiça dEle estão de mãos dadas. Por isso, a justiça eterna de Deus precisa ser vista como fazendo parte do Seu amor eterno. Assim, chegaremos à conclusão de que, por ser eternamente justo, o Senhor permitirá que os maus sejam castigados e depois destruídos definitivamente.
Após essas breves considerações, vamos ao estudo. Se quiser aprofundar-se ainda mais no assunto, envie um e-mail para namiradaverdade@novotempo.org.br e solicite o material intitulado “O inferno de fogo”. Nele, faço uma análise de alguns textos e apresento razões para crermos que a doutrina do inferno eterno traz consigo algumas heresias inaceitáveis para o cristianismo.
Quando existirá o lago de fogo
As Escrituras não ensinam que há um inferno de fogo, mas sim que haverá.
Um dia, Deus lançará o diabo e seus seguidores em um lago de fogo (Apocalipse 20:10), que só existirá após o período dos mil anos, como mencionei a princípio. Isso é muito claro nas Escrituras, que ensinam ser o juízo um evento futuro (Atos 17:31).
Portanto, os que não foram dignos da Salvação não se encontram hoje “em sofrimento”, mas, num sono profundo (Jeremias 51:57) até o dia em que serão penalizados (João 5:28, 29).
Todos queimarão como palha?
Não. O sofrimento de alguns pecadores durará um período de vários dias e noites (e até mais), porque cada um será recompensado “segundo as suas obras” (Mateus 16:27).
A Bíblia ensina que o castigo varia em “grau e intensidade”, especialmente nos versos a seguir:
“Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras.” Mateus 11:21-22.
“Aquele servo, porém, que conheceu a vontade de seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão.” Lucas 12:47-48 (Grifos meus)
Se o grau de castigo fosse o mesmo para todos (aniquilação instantânea ou tormento eterno), por que Jesus afirmou que no dia do julgamento haveria menos rigor para as cidades de Tiro e Sidom e que alguns receberão muitos açoites enquanto que outros ganharão poucos açoites?
Veja o que a escritora Ellen White disse a respeito, com base na Palavra de Deus:
“Uma distinção, porém, se faz entre as duas classes que ressuscitam. “Todos os que estão nos sepulcros ouvirão a Sua voz. E os que fizeram o bem, sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.” João 5:28 e 29. Os que foram “tidos por dignos” da ressurreição da vida, são “bem-aventurados e santos”. “Sobre estes não tem poder a segunda morte.” Apoc. 20:6. Os que, porém, não alcançaram o perdão, mediante o arrependimento e a fé, devem receber a pena da transgressão: “o salário do pecado”. Sofrem castigo, que varia em duração e intensidade, “segundo suas obras”, mas que finalmente termina com a segunda morte. Visto ser impossível para Deus, de modo coerente com a Sua justiça e misericórdia salvar o pecador em seus pecados, Ele o despoja da existência, que perdeu por suas transgressões, e da qual se mostrou indigno. Diz um escritor inspirado: “Ainda um pouco, e o ímpio não existirá; olharás para o seu lugar e não aparecerá.” E outro declara: “E serão como se nunca tivessem sido.” Sal. 37:10; Obad. 16. Cobertos de infâmia, mergulham, sem esperança, no olvido eterno” – O Grande Conflito, págs. 544, 545.
Sendo assim, o diabo ficará no fogo mais tempo do que os outros, pois seus pecados foram em maior proporção (além de ele ser o originador do mesmo – João 8:44 – e tentador dos seres humanos).
Entretanto, a Bíblia não diz que ele e os demais serão atormentados pela eternidade. Depois do castigo proporcional às obras de cada um, Deus destruirá definitivamente o mal e os que se apegaram a ele:
“… os ímpios serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz o SENHOR dos Exércitos [veja: diz o SENHOR e não os adventistas...], de sorte que não lhes deixará nem raiz nem ramo… Pisareis os perversos, porque se farão cinzas debaixo das plantas de vossos pés, naquele dia que prepararei, diz o SENHOR dos Exércitos.” Malaquias 4:1-3
“Os ímpios, no entanto, perecerão, e os inimigos do SENHOR serão como o viço das pastagens; serão aniquilados e se desfarão em fumaça.” Salmo 37:20.
“E o Deus da paz, em breve, esmagará debaixo dos vossos pés a Satanás. A graça de nosso Senhor Jesus seja convosco.” Romanos 16:20.
A fim de compreender o assunto do “inferno” (na verdade, lago de fogo) biblicamente, não devemos ignorar esses textos.
Isso deveria ser claro para todos nós cristãos, pois, se o diabo e os demais forem “mantidos com vida” para serem “castigados” por um tempo sem fim, seria o mesmo que Deus dar a vida eterna ao diabo, aos demônios e aos que não aceitaram a Cristo. Isso é uma heresia, pois somente os justos comerão da árvore da vida para serem imortais! (Apocalipse 22:2). Leia 1 João 3:15 e comprove que ímpios não têm vida eterna!
O fogo será eterno nas conseqüências (a pessoa nunca mais será ressuscitada) e não na duração (Mateus 25:46).

Extraído de:
http://novotempo.com/namiradaverdade/a-diabolica-doutrina-do-“inferno-eterno”-parte-1/